OMS que mais antirretrovirais para evitar 3 milhões de mortes por ano

Existem 9,7 milhões de pessoas no mundo a fazer terapias antirretrovirais
1 de julho de 2013 - 22h01



A Organização Mundial de Saúde (OMS) apresentou no domingo novas orientações para a administração de antirretrovirais, que visam evitar três milhões de mortes e prevenir 3,5 milhões de novos casos de VIH até 2025.



Em concreto, a OMS recomenda que as pessoas infectadas com o VIH comecem mais cedo a terapia antirretroviral, já que as mais recentes evidências indicam que iniciar mais cedo aquele tratamento dá aos pacientes vidas mais longas e mais saudáveis, reduzindo substancialmente o risco de transmissão do VIH a outros.



As novas diretrizes surgem numa altura em que há 9,7 milhões de pessoas no mundo a fazer terapias antirretrovirais.



“Estas orientações representam mais um salto em frente numa tendência de objectivos cada vez mais elevados e conquistas cada vez maiores”, disse a directora-geral da OMS, Margaret Chan, citada num comunicado da organização.



“Com quase dez milhões de pessoas actualmente a receber terapia antirretroviral, vemos que estas perspectivas -- impensáveis há apenas alguns anos – podem dar o fôlego necessário para levar a epidemia de VIH ao declínio irreversível”, acrescentou.



As novas recomendações encorajam todos os países a iniciarem o tratamento em adultos infectados com o VIH quando a sua contagem de células CD4 seja de 500 células/mm3 ou menos, enquanto as orientações anteriores, definidas em 2010, previam a administração da terapia quando a contagem descesse abaixo de 350 células CD4/mm3.



Noventa por cento dos países adoptaram as recomendações de 2010 e alguns, como a Argélia, a Argentina ou o Brasil, já oferecem o tratamento a partir das 500 células/mm3.



As recomendações portuguesas para o tratamento da infeção por VIH prevêem a administração da terapia antirretroviral a todos os doentes com infecção crónica por VIH-1 com uma contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 350 células/mm3.



Se os países integrarem estas mudanças nas suas políticas nacionais, suportando-as com os recursos necessários, terão benefícios significativos a nível da saúde pública e individual, alerta a OMS, estimando que a medida permita evitar três milhões de mortes adicionais e prevenir 3,5 milhões de novos casos até 2025.



As novas recomendações incluem ainda a administração de terapia antirretroviral, independentemente da contagem de CD4, a todas as crianças menores de cinco anos infectadas com VIH, a todas as grávidas e mulheres a amamentar com o vírus, a todas as pessoas que, sendo seropositivas, pertençam a um casal em que o outro elemento não está infectado.



“Estes avanços permitem às crianças e grávidas aceder ao tratamento mais cedo e com mais segurança, aproximando-nos do nosso objectivo de uma geração livre de sida”, disse o diretor executivo da UNICEF, Anthony Lake.



Embora o número de crianças elegíveis em terapia antirretroviral tenha aumentado 10% entre 2011 e 2012, este ritmo continua lento, quando comparado com os 20% dos adultos.



As recomendações foram apresentadas no dia de abertura da conferência da Sociedade Internacional de Sida, em Kuala Lumpur, que a cada dois anos reúne médicos, investigadores, especialistas em saúde pública e líderes comunitários para analisar os desenvolvimentos mais recentes na investigação do VIH e o seu impacto nas respostas globais à sida.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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