Número de abortos com medicamentos ilegais pode aumentar

As mulheres que realizam abortos clandestinos em Portugal recorrem sobretudo a medicamentos abortivos ilegais, uma realidade que os especialistas temem que venha a crescer com as recentes alterações à lei.

Mara Carvalho, médica de medicina geral e familiar que pertenceu à organização Médicos pela Escolha, afirma que o aborto clandestino ainda existe em Portugal, embora sublinhe que a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG) até às 10 semanas veio reduzir bastante aquela prática bem como as complicações associadas.

Num encontro sobre IVG hoje em Lisboa, Mara Carvalho falou sobre “o outro aborto”, também denominado como ilegal ou inseguro, que todos os anos provoca 47 mil mortes em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

A médica referiu dados que mostram uma redução das complicações com o aborto clandestino em Portugal: de 2002 a 2007 registaram-se 1.258 casos de complicações, enquanto de 2008 a 2012 foram registadas apenas 241 situações.

Dados já divulgados pela Sociedade Portuguesa de Contraceção indicam que entre 2002 e 2007 houve 14 mortes maternas notificadas relacionadas com o aborto clandestino, enquanto em 2011 e 2012 não se registou nenhum caso.

Apesar de a lei que permite o aborto por opção da mulher até às 10 semanas de gestação ter reduzido o aborto clandestino, a médica Mara Carvalho lembra que continua a haver mulheres que o praticam, com “o recurso ao aborto medicamentoso a ser o método mais utilizado”.

Falta de segurança

O aborto ilegal feito com recurso a “parteiras” sem qualificações era uma realidade mais comum no passado, mas atualmente Mara Carvalho diz que as mulheres que abortam de forma clandestina recorrem sobretudo a medicamentos abortivos adquiridos “no mercado ilegal”.

“Chegam às consultas e nem sabem muito bem o nome do medicamento que tomaram, nem quem o arranjou, referindo ter sido um namorado ou uma amiga que o conseguiu”, conta à Lusa.

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