Novo fármaco português para Parkinson chega ao 3.º maior mercado farmacêutico mundial

Opicapone é o segundo produto de investigação BIAL a ser licenciad
18 de abril de 2013 - 14h46
O laboratório farmacêutico português BIAL anunciou hoje ter assinado um contrato de licenciamento exclusivo com uma empresa japonesa para o desenvolvimento e comercialização no Japão de um novo tratamento para a doença de Parkinson.
Esta é a primeira vez que a empresa concretiza um acordo de licenciamento para o Japão, que é o terceiro maior mercado farmacêutico, depois dos Estados e da União Europeia.
Depois da comercialização do Zebinix (acetato de eslicarbazepina) para o tratamento da epilepsia, já disponível na maioria dos mercados europeus, o Opicapone é o segundo produto de investigação BIAL a ser licenciado.
António Portela, CEO da BIAL, considera que este é “um momento histórico, significativo e de grande satisfação para toda a equipa”.
“Nós fomos capazes de criar e desenvolver um segundo medicamento de investigação própria, confirmando as nossas capacidades científicas e técnicas e criando confiança na sustentabilidade do nosso projeto de I&D”, sublinhou.
O CEO da BIAL acrescentou que depois deste licenciamento para o mercado japonês, a empresa deve concentrar-se em “encontrar os parceiros ideais para os EUA e a Europa”.
Com este acordo de licenciamento, a farmacêutica japonesa ONO fará à BIAL um pagamento inicial, a que acrescem novas parcelas no seguimento do desenvolvimento deste fármaco no Japão e da sua performance comercial.
Com sede em Osaka, a ONO é uma empresa farmacêutica de investigação orientada para o desenvolvimento de medicamentos inovadores em áreas específicas.
A BIAL explica que o Opicapone encontra-se em fase III de ensaios clínicos (testes confirmatórios que visam provar a eficácia, determinar a tolerabilidade e a segurança do futuro medicamento). Está a ser desenvolvido como terapêutica adjuvante da levodopa, fármaco de maior eficácia na terapêutica sintomática da doença de Parkinson. Depois de finalizados os ensaios de fase III, seguir-se-á o registo junto das autoridades regulamentares e a posterior aprovação para introdução no mercado.
“Com a evolução da doença, os doentes de Parkinson desenvolvem o fenómeno “wearing off” (deterioração de fim de dose), em que a duração do efeito da levodopa é diminuída. Para responder ao “wearing off” é utilizada terapêutica adjuvante para manter ou aumentar o efeito da levodopa”, refere a empresa.
Nos estudos clínicos, o Opicapone demonstrou “um aumento na exposição sistémica da levodopa e demonstrou uma ação de longa duração sobre os inibidores de COMT (catecol-O-metiltransferase), de toma única diária”, acrescenta.
A doença
A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central caracterizada pela presença de bradicinesia (lentificação dos movimentos), trémulo, rigidez muscular e alterações posturais.
As manifestações clínicas iniciam-se habitualmente a partir dos 50 anos (a idade média de diagnóstico da doença situa-se por volta dos 60 anos), aumentando a incidência com a idade. A prevalência é estimada em 300 por 100.000 habitantes, aumentando de 1/100 acima dos 55-60 anos.
As estratégias terapêuticas disponíveis têm em vista a melhoria dos sintomas e sinais da doença e o retardar da sua progressão.
Além do desenvolvimento do Opicapone, a farmacêutica BIAL continua com o seu programa de desenvolvimento do antiepilético Zebinix (acetato de eslicarbazepina), procurando novas indicações terapêuticas, nomeadamente a sua utilização como monoterapia e em pediatria.
O Zebinix foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) para todos os países da União Europeia, em abril de 2009, para o tratamento adjuvante de adultos com crises epiléticas parciais, com ou sem generalização secundária. Atualmente, este antiepilético está a ser comercializado em 17 países europeus, entre os quais o Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Portugal.
A farmacêutica BIAL tem canalizado anualmente mais de 40 milhões de euros para I&D, que está centrada no sistema nervoso central, no sistema cardiovascular e no tratamento de alergias.
Simultaneamente mantém-se em curso o processo de internacionalização da companhia que hoje tem produtos em mais de 50 países.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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