Novas vacinas contra o ébola em fase de testes

Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa são os três países que já estão a testar as novas formulações. A experiência envolve mais de 5.000 voluntários.

Uma nova vacina contra o ébola começou a ser testada, no final de março, na Guiné-Conacri, na Libéria e na Serra Leoa, três dos países mais afetados pelo vírus entre 2014 e 2016, onde morreram mais de 11.300 pessoas. O ensaio clínico envolve mais de 5.000 voluntários, adultos e crianças. Desses, metade são guineenses e estão a ser acompanhados por especialistas de dois centros de estudo.

Batizada PREVAC, a iniciativa envolve, nesta primeira fase, a administração de duas vacinas, uma fabricada pela empresa farmacêutica Janssen e a outra pela Bavarian Nordic. «Numa segunda etapa, que deverá ter início no segundo semestre de 2017, o ensaio avaliará as três estratégias de vacinação, incluindo duas outras com a vacina da [empresa farmacêutica] Merck Sharp & Dohme», afirma fonte ligada ao processo.

Numa fase inicial, as crianças com menos de 12 anos não serão vacinadas. Só depois dos primeiros resultados preliminares da experiência. «Os participantes neste ensaio não correm nenhum risco de infeção porque as vacinas que estão a ser alvo do estudo não contêm o vírus vivo», garante a mesma fonte. Num teste anterior, em 2015, uma dela apresentou resultados prometedores.

No final de 2014, ainda que numa fase muito precoce, os Estados Unidos da América (EUA) anunciavam que a primeira vacina contra o vírus ébola tinha sido testada em duas dezenas de voluntários, sob a responsabilidade dos técnicos de saúde do Instituto das Alergias e Doenças Infetocontagiosas (NIAID). Na altura, as reações iniciais, à semelhança dos primeiros resultados, foram positivas, como também sucede com uma das novas vacinas testadas em África.

Depois do surto epidémico que atingiu várias regiões do globo e principalmente o ocidente africano, houve uma crescente aposta na investigação. Esta vacina, conhecida como ChAd3, tem elementos genéticos de duas estirpes do ébola que tiveram incidência no Sudão e Zaire que circulam com a ajuda de um adenovírus inofensivo para o homem e que está na origem dos sintomas gripais revelados nos chimpanzés.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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