Nova técnica mais eficaz diminui taxa de insucesso na fertilização in vitro

Defeitos genéticos são os principais suspeitos para alta taxa de insucesso na fertilização in vitro

8 de julho de 2013 - 16h12

Cientistas revelaram hoje ter utilizado uma nova técnica de sequenciamento de genes para selecionar um embrião viável para fertilização in vitro (FIV), que resultou no nascimento de um rapaz saudável.

A FIV, processo através do qual um óvulo é fertilizado num laboratório, é falível e apenas cerca de 30 por cento dos embriões dão origem a uma gravidez após a implantação.

Desconhece-se exatamente a razão para a alta taxa de insucesso, mas os defeitos genéticos são os principais suspeitos, segundo os autores do estudo, apresentado hoje num encontro em Londres da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE, na sigla em inglês).

O novo método, conhecido como sequenciamento de nova geração ou NGS, utiliza tecnologia atualizada para sequenciar um genoma inteiro, revelando doenças genéticas hereditárias, anormalidades cromossomáticas e mutações, segundo a agência France Presse.

O autor do estudo, Dagan Wells, do Centro de Investigação Biomédica NIHR da Universidade de Oxford, disse que a nova tecnologia é “inerentemente mais barata” e permite obter mais dados do que os métodos antigos.

Fornece milhões de fragmentos de ADN de uma única célula, que são depois sequenciados por um computador.

Método mais eficaz

O método começou a ser utilizado em investigação genética e diagnóstico, mas não ainda na triagem de embriões, indicou Wells.

“Muitos dos embriões que resultam de tratamentos de infertilidade não têm hipóteses de se tornarem um bebé porque têm anormalidades genéticas letais. O sequenciamento de nova geração melhora a nossa capacidade de detetar essas alterações e ajuda-nos a identificar os embriões com as melhores possibilidades de produzirem uma gravidez viável”, disse o cientista num comunicado.

Wells testou o método no laboratório até estar satisfeito com o nível de precisão e depois utilizou-o para ajudar dois casais submetidos a fertilização in vitro.

As mães tinham 35 e 39 anos e o método identificou três blastocistos saudáveis num casal e dois no outro. Apenas um embrião foi implantado em cada mulher e ambos resultaram em gravidezes saudáveis, indica o comunicado.

“A primeira gravidez terminou com o nascimento de um rapaz saudável em junho” e a segunda mãe "tem o parto previsto para breve", adiantou Wells.

SAPO Saúde com Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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