Níveis crescentes de CO2 afetam valor nutricional dos cereais

Deficiências de zinco e ferro afetam o sistema imunológico e provocam anemia
9 de maio de 2014 - 09h30



Os níveis crescentes de dióxido de carbono (CO2) estão a afetar o valor nutricional de cereais importantes para a alimentação, com o arroz e o trigo, alertam cientistas num estudo publicado esta semana.



Os investigadores alertam que os agricultores deveriam concentrar-se na preocupante vulnerabilidade destes géneros às emissões crescentes de carbono.



Num artigo publicado na revista Nature, cientistas afirmam ter testado 41 tipos de seis cultivos plantados em campos abertos de sete locais em Austrália, Japão e Estados Unidos, onde as plantas foram expostas a níveis altos de CO2 liberados por gasodutos horizontais.



O ar normal tem concentrações de CO2 de cerca de 400 partes por milhão (ppm), que atualmente sobe à velocidadede dois a três ppm ao ano.



No ambiente "enriquecido com carbono", as plantas experimentais cresceram em condições de 546-586 ppm de CO2, uma cifra que em cenários pessimistas pode ser alcançada em meados do século.



Estes valores traduzem-se num aquecimento de mais de 3 graus Celsius com base em níveis pré-industriais, enquanto os países-membros das Nações Unidas se comprometeram a limitar a elevação das temperaturas em 2 graus Celsius.



Os níveis de zinco, ferro e concentrações de proteínas nos cultivos de trigo nos campos diminuíram 9,3%, 5,1% e 6,3% em comparação com o trigo cultivado em condições normais, afirmaram os cientistas.



No arroz, os níveis de zinco, ferro e proteína caíram 3,3%, 5,2% e 7,8%, embora essas cifras variem de acordo com os tipos testados.



O estudo alerta ainda os agricultores a adaptar os cereais essenciais para torná-los menos sensíveis ao aumento do CO2.



Sem ajuda, os países mais pobres poderão ficar expostos a uma nutrição decadente. Cerca de dois mil milhões de pessoas sofrem de deficiências de zinco e ferro, que podem afetar o sistema imunológico e provocar anemia, respetivamente.



Por SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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