Nadadores com síndrome de Down têm menor potência, mas mais massa corporal

Uma investigação da Universidade do Porto mostra que nadadores com síndrome de Down possuem menor potência e capacidade cardiovascular e maior percentagem de índice de massa corporal do que os praticantes com deficiência inteletual que não possuem deficiência física.
créditos: Pixabay

Este é um dos resultados do projeto "Health related, daily life activity and sports domain characteristics of swimmers with Down syndrome" ("Saúde, atividade de vida diária e características do domínio desportivo de nadadores com síndrome de Down"), coordenado pela investigadora Ana Querido, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP).

A investigação demonstra que os nadadores com esta patologia nadam a velocidades máximas mais lentas do que nadadores com deficiência intelectual, apesar de não se terem verificado diferenças significativas noutros parâmetros de eficiência e coordenação, apenas diferenças nas características antropométricas (peso, altura, entre outros).

Os nadadores com síndrome de Down "possuem perfis de composição corporal mais saudáveis e níveis mais elevados de aptidão física do que as pessoas não treinadas com a mesma patologia", indicou à Lusa a investigadora, sendo esta uma das conclusões do projeto, que teve a duração de seis anos.

Outro dos resultados, segundo indica, mostra que o treino da natação parece melhorar o índice de massa corporal, a percentagem de gordura e massa magra, bem como a condição física (especialmente a força superior e inferior) dos nadadores portadores da síndrome.

As pessoas que têm esta patologia e treinam "parecem ser mais ativas nas suas vidas diárias" do que as que não treinam mas praticam natação de forma recreativa.

O "baixo nível" de aptidão física das pessoas com síndrome de Down influencia a sua 'performance', apresentando, os nadadores portadores desta patologia, formas de coordenação semelhantes a desportistas de baixo nível, com menor eficiência e maior variação da velocidade, explicou a coordenadora.

Para além disso, os nadadores com esta síndrome demonstram problemas relacionados com o ritmo, nos treinos e em competição, e não conseguem tirar vantagem do 'feedback' visual a curto prazo, que lhes permitiria manter uma estratégia de natação, acrescentou.

Para Ana Querido, uma das recomendações que poderia sair deste estudo passa pela inclusão, por parte do sistema de classificação do Comité Paralímpico Internacional, de uma separação na avaliação do perfil de aptidão física corporal de nadadores com síndrome de Down e com deficiência intelectual, situação que não se verifica atualmente.

Os dados para a investigação foram recolhidos em momentos diferentes, tendo sido realizada a primeira coleta durante o Campeonato do Mundo de Natação para síndrome de Down, em Taiwan, na China, em 2012.

Os participantes foram avaliados em contexto de vida diária, de competição e laboratorial (na piscina da FADEUP), em escolas e instituições, e durante atividades desportivas.

Neste projeto, parcialmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), participaram 18 investigadores da FADEUP, do Laboratório de Biomecância do Porto (Labiomep), do Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto da Universidade do Porto (CIFI2D) e do Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer da Universidade do Porto (CIAFEL).

A par destas instituições, estiveram ainda envolvidos na investigação profissionais da Faculdade de Cinesiologia e Ciências da Reabilitação, da Universidade de Leuven (Bélgica), e da Faculdade de Ciências do Desporto, da Universidade de Rouen (França).

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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