Mulheres têm menos acidentes mas estão mais sujeitas a doenças profissionais

Muitas vezes as instituições rejeitam ou subestimam as patologias femininas
23 de janeiro de 2014 - 16h32



As mulheres têm menos acidentes de trabalho mas estão mais sujeitas a doenças profissionais e à dificuldade do seu reconhecimento, revelam vários estudos que vão ser divulgados hoje e na sexta-feira na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.



“Os homens são mais vítimas de acidentes de trabalho, mas as mulheres têm, pelo tipo de exposição a certos riscos, mais doenças profissionais. Os dados estatísticos nacionais e europeus mostram claramente esta diferença”, adiantou à Lusa Marianne Lacomblez, professora daquela instituição e coordenadora do Seminário “Eles e Elas no emprego e no trabalho: questões de justiça e de saúde”.



Em causa estão “lesões musculoesqueléticas” provocadas por “trabalhos repetitivos” e ainda “dificilmente reconhecidas pelas empresas”, pelo que o objetivo do encontro na Faculdade de Psicologia é reunir profissionais de várias áreas em torno desta abordagem “pouco trabalhada e valorizada” da desigualdade de género, explicou a docente.



“O problema maior é que existe um estereótipo que diz que as mulheres têm trabalhos com menos arriscados. Não é verdade. Não são os mesmos riscos, mas também há riscos importantes no trabalho das mulheres. Isso vê-se também com as doenças”, alertou Laurent Vogel, responsável pela investigação sobre temas de saúde laboral do Instituto Sindical Europeu (ETUI – European Trade Union Institute).



O representante do ETUI explica que, analisando as doenças das trabalhadoras, se encontram “muitas coisas relacionadas com o seu trabalho”, nomeadamente “muitos transtornos musculoesqueléticos”.



“Estamos a falar de dores ou patologias das articulações devido a movimentos repetitivos. É muito comum nas trabalhadoras”, descreveu.



De acordo com Laurent Vogel, “muitas vezes as instituições negam” as patologias femininas.



“Reconhecem mais facilmente a doença de um homem que trabalhou na construção civil do que de uma enfermeira ou trabalhadora da limpeza”, afirmou.



“A tendência geral na Europa é que a divisão de trabalho entre homens e mulheres nunca é neutra. Essa divisão significa, em geral, uma invisibilidade dos problemas de saúde das mulheres. E isso significa menos prevenção para as mulheres”, vincou.

Comentários