Morreriam menos 6 mil crianças na Europa se todos fossem como a Suécia, indica estudo

Ainda há grandes discrepâncias no que toca à taxa de mortalidade infantil na UE a 15
27 de março de 2013 - 10h09



Mais de 6.000 vidas de crianças poderiam ser poupadas anualmente se todos os países Europa ocidental tivessem a taxa de mortalidade infantil da Suécia, indica um artigo publicado hoje na revista Lancet.



Os investigadores concluem que, embora a taxa de mortalidade tenha melhorado muito nos últimos 30 anos nos 15 primeiros países da União Europeia, ainda há grandes discrepâncias entre eles.



Os cientistas comparam as taxas de mortalidade entre os 15 países e concluem que, se todos tivessem a melhor taxa de mortalidade infantil, como a da Suécia, morreriam menos 6.198 crianças todos os anos.



A investigadora que coordenou o artigo, Igrid Wolfe, explicou, em conferência de imprensa, que as diferenças entre os melhores e os piores se justificam, porque alguns países não conseguiram adaptar-se às mudanças epidemiológicas.



Ferimentos e cancro entre a causa das mortes



As principais causas de morte entre as crianças com menos de 14 anos deixaram de ser as doenças infecciosas e passaram a ser ferimentos, envenenamento, cancro e doenças congénitas ou neurológicas.



"Os nossos sistemas não se adaptaram a esta mudança", disse a cientista, que falava em particular do Reino Unido, que, com uma das piores taxas de mortalidade dos 15, contribui com quase 2.000 das 6.000 mortes em excesso.



Os autores alertam ainda para a dimensão da pobreza infantil e das desigualdades na Europa, o que afeta diretamente a saúde, não só na infância, mas ao longo da vida.



Segundo o artigo, enquanto na Suécia 1,3% das crianças vivem em situação de pobreza, em Portugal a Unicef estima em 27,4% a percentagem de menores a viver em lares que não garantem um mínimo de três refeições por dia.



Na sua primeira série sobre a Saúde na Europa, a 'Lancet' dedica ainda um artigo ao envelhecimento da população, estimando que em 2060 haja duas vezes mais idosos (com mais de 65 anos) do que crianças (com menos de 15).



Os investigadores alertam no entanto que uma sociedade envelhecida não constitui em si mesma uma ameaça ao Estado social e sublinham que o envelhecimento da sociedade não deve ser usado como argumento político para justificar cortes na proteção social.



As estimativas de aumentos nos gastos com saúde devido ao envelhecimento têm sido exagerados, enquanto outros fatores, como os desenvolvimentos tecnológicos, têm mais impacto nos custos agregados com a saúde.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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