Ministro propõe aliança europeia para "clarificar" preço de remédios para hepatite C

Estado português já gasta 70 milhões de euros anuais com a doença
20 de maio de 2014 - 12h05



O ministro da Saúde português sugeriu hoje na Assembleia Mundial da Saúde uma aliança de vários países para uma “maior clarificação dos preços” dos novos medicamentos para a hepatite C.



Durante o seu discurso em Genebra, na Assembleia da Organização Mundial da Saúde, a que a agência Lusa teve acesso, o ministro Paulo Macedo lembrou que os preços dos novos fármacos para a hepatite C “têm um considerável impacto no orçamento da saúde”.



“Portugal está disponível para colaborar com os outros estados membros no sentido de resolver a situação concreta no que se refere à hepatite C, mas também a outras situações análogas. Desafiamos os outros estados membros a colaborar na implementação de medidas de melhor regulação e maior clarificação dos preços estabelecidos para os novos medicamentos e dispositivos médicos”, afirmou Paulo Macedo.



Na semana passada, um estudo apresentado por um grupo de peritos indicou que Portugal deve adotar novos modelos de financiamento e negociação que garantam o acesso dos doentes com hepatite C aos medicamentos mais eficazes para a doença, que custa anualmente 70 milhões de euros.



“O novo grupo de fármacos permite a cura definitiva em mais de 90% dos doentes tratados”, lembrava o Consenso Estratégico para a Gestão da Hepatite C em Portugal.



Na Assembleia Mundial da Saúde, o ministro Paulo Macedo reconheceu que o sistema de saúde “não é imune aos efeitos da austeridade”, mas considerou que a maioria dos indicadores em Portugal continuam a “exibir uma tendência positiva”.



Um dos exemplos dados foi a taxa de mortalidade infantil, que no ano passado foi inferior a três por mil nascimentos, e a mortalidade materna, que se situou em oito por 100 mil nascimentos vivos.



Paulo Macedo recordou ainda que Portugal se encontra no “top 10” dos países com maior esperança de vida à nascença no sexo feminino.



“Apesar disto, assumimos aqui o compromisso de avaliar e monitorizar o impacto da crise económica nos indicadores de saúde”, acrescentou.



Por SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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