Ministro diz que se acabaram as parcerias público-privadas na saúde

Inauguração de Hospital em Vila Franca de Xira marcada por protestos de três dezenas de pessoas
22 de maio de 2013 - 15h40



O ministro da Saúde garantiu hoje que não vão ser lançadas mais Parcerias Público Privadas (PPP) na área da saúde, apesar de acreditar neste modelo de gestão.



"Não pensamos lançar mais PPP na área da saúde. Temos apenas o caso do Hospital Lisboa Oriental [Hospital de Todos os Santos], que desejávamos concretizar, mas não estão outras [hipóteses] em cima da mesa", frisou Paulo Macedo, após a inauguração do Hospital de Vila Franca de Xira, uma PPP dada como um bom exemplo de gestão.



"É um modelo em que nós acreditamos, pode funcionar bem. Vimos o caso deste edifício, que foi construído dentro do custo e sem derrapagens, mas também um modelo que deve trazer alguma inovação em termos de gestão e processos adicionais, que são disponibilizados e implementados nos hospitais, de maneira a torná-los mais eficientes", sublinhou o governante.



Paulo Macedo salientou que a função do Governo é estar "muito atento" e "monitorizar" o serviço prestado pelo novo Hospital de Vila Franca de Xira, gerido pelo Grupo Mello.



O novo equipamento custou 108 milhões de euros e é três vezes maior do que o antigo hospital de Reynaldo dos Santos. Tem capacidade anual para 16 mil internamentos, oito mil cirurgias, 192 mil consultas externas, 104 mil urgências, 280 camas de internamento, nove salas do bloco operatório e 33 gabinetes de consulta externa.



2000 partos por ano



Está equipado com cinco salas de parto e uma de cesariana – o hospital espera fazer cerca de 1.900/2.000 partos por ano -, além de passar a ter três novas especialidades: hemodiálise, infecciologia e psiquiatria.



Por todo o edifício estão espalhados 266 relógios de parede.



O ministro da Saúde elogiou o novo hospital, e reafirmou que há, da parte do Governo, "desde o início, uma aposta clara na continuidade do Serviço Nacional de Saúde". Exemplos dessa intenção são, segundo Paulo Macedo, as inaugurações feitas nos últimos meses na área da saúde.



"Há um conjunto de valências de que as pessoas passam a dispor [no Hospital de Vila Franca de Xira] que antes não tinham, e que vêm também na sequência do esforço - de facto dá-se a coincidência - de, em três meses, inaugurarmos três hospitais: Lamego, Amarante e agora Vila Franca de Xira".



A inauguração oficial da nova unidade de saúde ficou ainda marcada pela concentração de cerca de três dezenas de pessoas, junto à entrada principal, que empunhavam cartazes a "defender o Serviço Nacional de Saúde" e contra as PPP, que pediram a demissão do Governo, no momento em que o ministro entrava na sua viatura.



Alguns dos manifestantes já tinham protestado há uma semana, quando da abertura do Centro de Saúde de Alhandra, freguesia do mesmo concelho.



"A saúde - e esta manifestação é também um pouco nesse sentido - deve ser um serviço público ao qual as pessoas têm direito”, disse a presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha (PS).



“Agora, há uma coisa que é muito clara: o país não é rico e é preciso encontrar meios, porque senão nunca mais teríamos hospital, nem nós nem os outros", frisou a presidente da autarquia.



O novo Hospital de Vila Franca de Xira é uma Parceria PPP que custou 108 milhões de euros, e que vai servir 245 mil utentes de cinco concelhos: Vila Franca de Xira, Benavente, Arruda dos Vinhos, Azambuja e Alenquer.



O hospital está a funcionar em pleno desde 03 de abril, mas só hoje foi oficialmente inaugurado.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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