Ministro da Saúde insiste que greve dos médicos tem motivos políticos

Federação Nacional dos Médicos alega que o Ministério da Saúde não cumpre acordo com os sindicatos
4 de julho de 2014 - 10h44
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, voltou a atribuir motivos políticos à greve dos médicos convocada pela Federação Nacional dos Médicos, para terça-feira e quarta-feira, alegando que "as reivindicações foram atendidas".
Para Paulo Macedo, a paralisação "não tem motivos laborais concretos", mas antes "um conjunto de razões difusas, de ordem política", disse na quinta-feira (03.07).
O ministro, que falava à imprensa, em Lisboa, disse que "as reivindicações foram atendidas e negociadas", acrescentando que, ao abrigo do acordo em vigor entre tutela e sindicatos, "houve um conjunto de benefícios concretos para os médicos".
O titular da pasta da saúde participou hoje no encerramento de uma reunião de peritos sobre a modernização da educação dos profissionais do setor, uma iniciativa promovida pela Organização Mundial de Saúde, a convite de um jovem médico português.
A Federação Nacional dos Médicos alega que o Ministério da Saúde não cumpre o acordo a que chegou com as estruturas sindicais e representativas dos médicos.
Solidária com o protesto dos clínicos, a Ordem dos Médicos convidou, na terça-feira, os doentes a juntarem-se na próxima semana numa concentração em frente ao Ministério da Saúde.
Para o primeiro dia de greve está agendada uma concentração à porta do ministério.
Confrontado ainda com o estudo, hoje divulgado, pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros, que aponta uma carência de 700 enfermeiros nas unidades de cuidados na comunidade, o ministro reconheceu que "há necessidades", mas que também "há prioridades".
"Se é mais prioritário esses 700 enfermeiros, se é esse o número, no sul, se é outro tipo de contratações nos IPO [Institutos de Oncologia], se são contratações de médicos de família", assinalou.
O estudo da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros conclui que faltam 700 enfermeiros nas unidades de cuidados na comunidade, para assegurar resposta a 4,4 milhões de pessoas residentes entre Santarém e Algarve.
Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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