Governo exclui educação sexual das metas curriculares obrigatórias

O Ministério da Educação e Ciência não incluiu nas metas curriculares, que este ano passam a ser obrigatórias, o ensino de conteúdos relacionados com os métodos contracetivos e as doenças sexualmente transmissíveis.
créditos: Sara Matos/AFP

A partir de agora, os alunos do 9.º ano não vão voltar a abordar de forma aprofundada os métodos contracetivos e as doenças sexuais transmissíveis (DST) nas aulas de Ciências Naturais.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) excluiu aqueles conteúdos das metas curriculares para a disciplina, uma situação que é considerada "gravíssima" pelo presidente da Associação de Planeamento da Família (APF), escreve o jornal Público.

"Não foi uma decisão técnica ou científica, pelo que presumo que tenha sido uma opção política", afirmou o coordenador da equipa que elaborou as metas, Jorge Bonito, citado pelo referido jornal.

A elaboração de metas curriculares – que identificam aquilo que os programas de cada disciplina devem priorizar – foi iniciada no último Governo do Partido Socialista, por Isabel Alçada.

No entanto, foi o atual ministro, Nuno Crato, quem as alargou as várias disciplinas e as tornou obrigatórias.

"Consideramos que os conteúdos de regulação dos nascimentos e contracepção e DST devem manter-se, dada a sua pertinência neste nível etário", lê-se ainda no parecer da Associação de Professores de Biologia e Geologia (APBG) que o mesmo jornal dá conta.

Jorge Bonito, o coordenador da comissão científica que elaborou as metas da disciplina e ao qual terá chegado a reclamação da APBG, concorda "absolutamente" que houve "ajustes de natureza política".

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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