Ministério da Saúde vai estudar separação dos profissionais do setor público e privado

Possibilidade está em cima da mesa para garantir a sustentabilidade do SNS
21 de janeiro de 2013 - 15h45



Paulo Macedo admitiu esta segunda-feira que vai ser estudar a separação dos profissionais do setor público e o privado, como uma das reformas para garantir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.



Discursando na abertura de um debate sobre o “Estado Social. A Saúde. Que futuro?”, o ministro da Saúde deixou claro que a sustentabilidade do SNS ainda não está garantida, mas que é objetivo do Ministério da Saúde consegui-la. Sendo o SNS uma das áreas “mais equitativas”, deve ser mantido com “caráter universal e geral”, sublinhou o ministro.



Paulo Macedo avança que algumas medidas podem ainda ser tomadas para poupar nos custos, salientando que “há ainda muito desperdício que se pode analisar”. Uma das possibilidades deixadas no ar foi a da exclusividade dos profissionais no setor público.



“Queremos debater o assunto e estudar em profundidade esta reforma”, comentou.



Ainda em relação aos profissionais de saúde, Paulo Macedo propõe novos incentivos em termos de resultados e ganhos concretos, bem como a contratação de profissionais mais qualificados para determinadas tarefas.



O ministro quer ainda rever a “duplicação do financiamento”, designadamente a duplicação de coberturas para subsistemas (como a ADSE) e para o SNS, e a área dos convencionados, na qual acredita poder vir a conseguir ainda melhores acordos.



Quanto às unidades de saúde que têm ensino, investigação e diferenciação, Paulo Macedo garante querer mantê-las na esfera pública.



Durante a sua intervenção, o ministro referiu ainda algumas das políticas já iniciadas e que terão continuidade, como a aposta nos cuidados primários, versus urgências hospitalares, e nos cuidados continuados, face à saúde materno-infantil.



Sobre esta matéria, Paulo Macedo assinalou que se assiste a uma acentuada quebra de natalidade, “muito mais baixa do que há 20/30 anos” e paralelamente a um aumento das doenças civilizacionais como a diabetes, a hipertensão, ou as cancerígenas, fruto do aumento da esperança de vida.



A liberdade de escolha do utente ainda é baixa, na opinião da tutela, e “vai ter que ser maior, nomeadamente nos cuidados transfronteiriços”, cuja forma de evoluir também terá que ser discutida.



A política do medicamento, o combate à fraude, a prevenção e combate ao tabagismo, álcool e obesidade são outros dos programas a manter.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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