Metas estabelecidas para aquecimento global são demasiado perigosas, defende cientista

Ártico está a derreter a uma velocidade superior à esperada e as ondas de calor estão a aumentar
3 de dezembro de 2013 - 08h37



O cientista que dirigiu durante mais de duas décadas um instituto de investigação da agência aeronáutica dos EUA, James Hansen, apelou hoje a novas abordagens para interromper o aquecimento global e criticou as metas estabelecidas, por serem demasiado perigosas.



Num texto, de 26 páginas, divulgado no sítio na Internet da revista científica PLOS ONE, a apelar à apresentação de textos científicos sobre o assunto, sublinha os perigos das alterações climáticas e o impacto devastador que estão a ter no ambiente à escala mundial.



Um aquecimento global de dois graus Celsius está “bem dentro de uma amplitude perigosa”, disse, em referência ao acordo estabelecido em 2009 em Copenhaga, que consagrou a necessidade da redução de emissões de gases com efeito de estufa e manteve o objetivo de conter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados, em relação ao nível do tempo pré-industrial.



Apesar de o aquecimento global ter atingido um nível superior a menos de um grau centígrado, o mar de gelo do Oceano Ártico está a derreter a uma velocidade superior à esperada, os oceanos têm estado a acidificar e as ondas de calor, as secas e os incêndios estão a aumentar em intensidade, destacou.



Estes eventos “implicam que a sociedade deve reavaliar o que constitui um ‘nível perigoso’ de aquecimento global”, escreveu o cientista.



Os esforços, acrescentou, devem ser feitos para constranger o aquecimento no nível que já alcançou.



Hansen é professor no Departamento das Ciências da Terra e do Ambiente na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e antigo chefe do Instituto Goddard, da NASA, para os Estudos do Espaço.



No seu artigo, pede aos líderes mundiais, aos cientistas e aos responsáveis políticos para que respondam de forma ativa à necessidade de restaurar o equilíbrio energético da Terra.



O diretor editorial do PLOS ONE, Damian Pattinson, disse que vai publicar qualquer artigo que passe um processo de revisão por pares sobre formas de alterar a tendência preocupante do aquecimento do clima do planeta.



“A nossa esperança é a de gerar um espetro amplo de submissão [de artigos] de investigação do clima e, em particular, de textos que avancem sugestões de solução para os desafios colocados pelas alterações climáticas, preservação do ambiente, problemas da acidificação, estratégias de adaptação e restauração dos ecossistemas”, disse.



Uma coleção da PLOS, designada “Responder às Alterações Climáticas” vai ser lançada no início de 2014 para destacar a investigação.



“Apesar de haver mérito em noticiar simplesmente o que está a acontecer, ainda há oportunidade para a humanidade exercer a sua vontade”, sustentou Hansen.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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