Metais pesados no rio Zêzere podem afetar saúde da população

Uma tese de doutoramento da Universidade de Coimbra identificou um pH ácido e níveis de metais pesados acima do valor máximo recomendado no rio Zêzere, junto às minas da Panasqueira, nos concelhos da Covilhã e do Fundão, distrito de Castelo Branco.
créditos: PAULO CUNHA / LUSA

O projeto, desenvolvido por Anselmo Gonçalves, estudou as análises de água entre 1995 e 2010 no rio Zêzere e ao longo da ribeira do Bodelhão, que passa junto à escombreira ativa da mina da Panasqueira e que desagua no Zêzere, constatando que uma elevada percentagem das amostras "apresenta valores acima do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde" (OMS), disse à agência Lusa o investigador.

Na ribeira do Bodelhão, o manganês apresentou valores acima do recomendado em quase 100% das amostras ao longo dos 15 anos analisados, o zinco e o cobre entre os 50% e os 90%, arsénio entre os 0% e os 70%, e ferro entre os 0% e os 15%, concluiu o estudo, desenvolvido no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

No rio Zêzere, o manganês apresentou valores acima do recomendado entre 60% e 85% das amostras, o zinco e o cobre entre 50% e 60%, arsénio entre 20% e 50% e o ferro entre 40% e 50%.

Relativamente ao pH, na ribeira do Bodelhão registaram-se entre 50% e 84% das amostras valores abaixo de 6,5. No rio Zêzere, as análises efetuadas apontam para 52% e 81% das amostras com níveis abaixo dos 6,5.

O investigador referiu também que identificou uma correlação entre a quantidade de precipitação e uma maior presença de metais pesados nas águas circulantes.

A partir de 2011, após a entrada em funcionamento da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), o responsável pela tese de doutoramento não acedeu a novos dados.

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