Metade das vítimas de enfarte continua a ir pelos próprios meios para o hospital

Por cada minuto que passa, o risco de mortalidade aumenta 10%
13 de fevereiro de 2013 – 10h25
Mais de metade dos doentes vítima de enfarte do miocárdio desloca-se pelos próprios meios para o hospital, muitas vezes desadequado, obrigando à sua transferência para outra unidade de saúde, perdendo tempo que é “crucial” nesta doença.
Na véspera do Dia Nacional do Doente Coronário, o presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular salientou a importância das vítimas pedirem ajuda ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para reduzir a mortalidade e oferecer “o melhor tratamento” para a doença, a angioplastia primária.
A APIC está a desenvolver há mais de um ano uma campanha europeia de cardiologia, denominada “Stent for life em Portugal”, para reduzir a mortalidade por enfarte do miocárdio na Europa.
“No momento em que começámos a campanha, cerca de 62% das pessoas iam pelos seus próprios meios para o hospital, que não eram especializados e tinham de ser transferidos, um ano depois esse número baixou para 47%”, mas ainda é “muito levado”, disse à agência Lusa o presidente da associação, Hélder Pereira.
“O que pretendemos é que as pessoas liguem para o INEM, demorem muito pouco tempo entre a suspeita de enfarte e o pedido de ajuda”, e saibam que “há hospitais em Portugal especializados para tratar os enfartes”, frisou.
Por cada minuto, risco de morte aumenta 10%
Num enfarte agudo do miocárdio cada minuto conta e por cada meia hora que se perde a mortalidade relativa hospitalar aumenta 10%
Há um ano, a APIC realizou um questionário em todos os centros que realizam angioplastia. Um ano depois voltou a fazê-lo e verificou que o número de pessoas que recorreu ao INEM subiu de 33% para 40%.
A idade média dos doentes com enfarte em Portugal e nos países ocidentais é de 64 anos, mas, nos últimos anos, estão a registar-se casos em mulheres mais jovens que fumam.
“Há 15 ou 20 anos, esta situação não existia, hoje acontece com alguma frequência e resulta do facto de haver uma prevalência de tabagismo nas mulheres elevada”, explicou o especialista.
Dados da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) referem que, em 2012, ocorreram em Portugal 23 mil mortes por doenças cardiovasculares, das quais 16 mil por AVC e 7.000 por enfarte do miocárdio.
“No seu conjunto, as doenças cardiovasculares são responsáveis por quase um terço da mortalidade total da população portuguesa”, refere a FPC.
Os dados indicam que 70% da população portuguesa tem colesterol elevado, 20% é fumadora ou obesa, 40% é hipertensa, e tem vindo a aumentar consideravelmente o número de diabéticos.
A FPC alerta que “o Estado gasta cada vez mais dinheiro no tratamento de doenças que são em grande parte evitáveis”, sendo necessário “uma mudança radical nos hábitos de vida não saudáveis”.
Este ano, a Fundação vai promover a Dieta Mediterrânica e alertar para a necessidade de uma alimentação saudável e de praticar exercício físico.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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