Médicos Sem Fronteiras dizem que a resposta ao Ébola está a ser "perigosamente inadequada"

Órgãos sanitários internacionais demoraram a reagir perante o novo surto de Ébola
28 de agosto de 2014 - 09h50



A resposta internacional à epidemia de ébola no oeste da África está a ser "perigosamente inadequada", disse a coordenadora de Emergência da organização Médicos sem Fronteiras (MSF), esta quarta-feira na Serra Leoa.



"A epidemia de ébola está fora de controlo há meses, mas a comunidade sanitária internacional demorou muito para agir", escreveu a enfermeira Anja Wolz num artigo publicado no "New England Journal of Medicine", acrescentando que "a resposta internacional atual mantém-se perigosamente inadequada".



O ébola é um vírus altamente contagioso que causa vómitos, diarreia e hemorragias. A doença foi detetada pela primeira vez em 1976 e tem sido fatal em cerca da metade dos casos no oeste da África desde o início do ano.



Mais de 1500 pessoas na Serra Leoa, Guiné, Libéria e Nigéria morreram nesta que é a maior epidemia de ébola da História, segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado hoje.



Na Serra Leoa, morreu o maior especialista na doença e um epidemiologista senegalês foi levado de avião esta semana para a Alemanha, onde deu entrada num hospital para ser tratado.



Wolz descreveu o equipamento utilizado pelos trabalhadores sanitários, que inclui "dois pares de luvas, duas máscaras e um avental pesado sobre macacões encorpados", como "insuportável" para ser usado durante mais de 40 minutos numa época de intenso calor.



A falta de equipamento médico é outro dos problemas. Em algumas zonas, existem apenas quatro ambulâncias para uma comunidade de 500 mil pessoas.



Por SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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