Médico especialista quer mais crianças a participar em ensaios clínicos

O oncologista pediátrico Ximo Duarte, do IPO de Lisboa, defendeu hoje a necessidade de uma estrutura com meios humanos e financeiros dedicada a esta área para que mais crianças com doença oncológica possam participar em ensaios clínicos em Portugal.
créditos: AFP

Em declarações à Lusa, Ximo Duarte sublinhou as dificuldades encontradas para aumentar a participação da oncologia pediátrica em ensaios clínicos, sobretudo a falta de meios humanos e de financiamento.

“Além da burocracia, pois é uma matéria muito delicada que envolve muitas questões a que se deve obedecer a nível nacional e internacional, são precisos meios humanos, técnicos para coordenar os estudos, introduzir e monitorizar dados e reportar toxicidades, e financiamento”, sublinhou.

Ximo Duarte afirmou que na oncologia pediátrica o medicamento mais vantajoso é sempre “o que é ao mesmo tempo mais curativo mas com menor toxicidade para as crianças” e lembrou que, hoje em dia, as crianças com doença oncológica são tratadas com medicamentos que na grande maioria não foram testados para elas, mas sim para adultos. “Temos anos de experiência com medicamentos que usamos nos esquemas terapêuticos para as crianças, mas que de origem foram testados em adultos. Tradicionalmente sempre se desenvolveram para o adulto, pois a regulamentação é menos restrita do que para as crianças”, afirmou.

O especialista sublinhou ainda que esta situação dificulta a investigação clínica porque quando se usam em ensaios pediátricos medicamentos testado em adultos considera-se que o medicamento é experimental do ponto de vista regulamentar.

Neste momento, disse, Portugal participa em cinco ensaios clínicos com crianças (três deles internacionais,), com cerca de uma dúzia de doentes, e está a ser preparada a documentação para participar noutros quatro ensaios, que ainda não podem ser submetidos a nível nacional, envolvendo mais 70 crianças por ano.

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