Medicamentos sem receita já se vendem fora das farmácias há dez anos

Há dez anos que os medicamentos sem receita médica podem ser vendidos fora das farmácias, mas estas consideram que as grandes vantagens anunciadas para a medida nunca se concretizaram.

“O preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias aumentou 12 por cento e apenas três cadeias de distribuição detêm 80 por cento do mercado destes medicamentos vendidos fora das farmácias”, disse à Lusa o diretor da área profissional da Associação Nacional de Farmácias (ANF).

Para Humberto Martins, estas duas situações demonstram que “as principais vantagens da medida não se concretizaram: a baixa de preço e a melhoria do acesso”.

A ANF sempre esteve contra a medida, alegando que as farmácias são a maior rede de acesso de medicamentos aos utentes.

“Os preços dos medicamentos vendidos nas farmácias baixaram 30 por cento, enquanto fora destes estabelecimentos aumentaram 12 por cento”, acrescentou.

A venda de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) para uso humano fora das farmácias foi permitida com a publicação do Decreto-Lei n.º 134/2005, de 16 de agosto, tendo entrado em vigor a 15 de setembro desse ano.

Dados da autoridade que regula o setor do medicamento (Infarmed), a que a Lusa teve acesso, indicam que atualmente existem 1.035 locais de venda destes fármacos autorizados.

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