Medicamentos comuns para a febre podem provocar lesões renais graves nas crianças

Ibuprofen e o Naproxen são dois exemplos
25 de janeiro de 2013 - 14h37



Medicamentos usados frequentemente para reduzir a febre e a dor em crianças, o ibuprofen e o naproxen, podem provocar lesões renais graves nos menores, especialmente quando sofrem algum grau de desidratação devido à gripe ou a outras doenças.



A conclusão é de um estudo de cientistas nos EUA, hoje publicado na revista científica 'Journal of Pediatrics'.



A equipa de cientistas das universidades de Indiana e de Butler, nos EUA, concluiu que quase 3% dos casos de lesão renal aguda pediátrica registados ao longo de 11 anos no hospital pediátrico local podem ser diretamente associados à toma de anti-inflamatórios não esteróideos comuns (NSAID, na sigla em inglês).



Apesar de a percentagem ser aparentemente reduzida, entre as crianças com problemas associados aos NSAID surgem quatro menores que precisaram de hemodiálise e pelo menos sete que poderão ter ficado com doenças renais permanentes, alertam os investigadores.



"Estes casos, incluindo alguns em que a função renal dos pacientes terá de ser monitorizada durante anos, bem como o custo dos tratamentos, são significativos, especialmente quando se considera que há alternativas e que as lesões renais agudas provocadas por NSAID são evitáveis" disse o nefrologista pediátrico Jason Misurac, que dirigiu o estudo.



Embora estes fármacos tenham sido ligados a lesões renais em breves estudos empíricos, o relatório agora publicado apresenta-se como o primeiro estudo de grande escala sobre a incidência e o impacto da lesão renal aguda provocada por NSAID.



A equipa de investigadores estudou os registos médicos do hospital pediátrico de Riley, na Universidade de Indiana, entre janeiro de 1999 e junho de 2010, tendo encontrado 1.015 casos em que os pacientes tiveram de receber tratamento para lesões renais agudas de qualquer origem.



Depois de excluírem os casos em que as lesões poderiam ser explicadas por outros fatores, como doenças que afetam a função renal, os cientistas encontram 27 casos (2,7%) em que o único fator era a administração de NSAID.



Os cientistas admitem contudo que muitos dos 1.015 casos tenham causas potenciais múltiplas, pelo que os 27 casos deverão subestimar o número real de casos em que os medicamentos contribuíram para os danos nos rins.



O estudo conclui ainda que 78% dos 27 doentes estavam a usar NSAID há menos de sete dias e que 75% tomaram a medicação na dosagem recomendada. Em 67% dos casos, a família admitiu que a criança tinha sinais de desidratação.



A maioria dos pacientes era adolescente, mas os menores de cinco anos, por motivos que os investigadores não conseguiram identificar, foram afetados de forma mais grave: todos precisaram temporariamente de diálise, tiveram mais probabilidade de ficar nos cuidados intensivos e ficaram mais tempo no hospital.



Nenhum dos pacientes morreu ou sofreu de falência renal permanente, mas 30% das crianças revelaram sinais de doença renal crónica moderada após a recuperação do episódio de lesão renal aguda.



Os medicamentos em causa afetam a função renal ao restringir o afluxo de sangue aos componentes dos rins que filtram o sangue, pelo que o risco será maior se a criança estiver desidratada devido aos efeitos da doença, nomeadamente aos vómitos e diarreia, adiantou Misurac.



Sobre as alternativas aos NSAID, o médico apontou o paracetamol, mas não só. Considerando que a febre é normal em caso de infeção e não é perigosa em si mesma, Misurac sugeriu que "outra alternativa é não dar qualquer medicação, pelo menos por algum tempo, e deixar o corpo combater a infeção".



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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