Mais de um terço dos utentes de lares e centros de dia têm demência

Mais de um terço dos utentes dos lares, centros de dia e serviços de apoio domiciliário de Cascais, Oeiras e Sintra têm diagnóstico ou suspeita de demência, segundo o Diagnóstico Social elaborado pelo projeto Cuidar Melhor nestes três concelhos.
créditos: LUSA/NUNO VEIGA

O principal objetivo do diagnóstico foi identificar e caracterizar em termos sociodemográficos as pessoas com demência, que são utentes dos equipamentos sociais nestes concelhos.

“Recolhemos informação junto destes equipamentos e conseguimos apurar que, de um total de 4.002 utentes, que representam a amostra do estudo, 938 têm diagnóstico de demência e outros 505 têm suspeita de demência”, disse hoje à agência Lusa Catarina Alvarez, coordenadora do projeto Cuidar Melhor, que apoia pessoas com demência e os seus cuidadores.

No total destes equipamentos, 36% dos utentes estão diagnosticadas com demência ou suspeita-se de terem esta doença.

“Se olharmos para a situação dos lares, a situação é ainda mais grave, já que aí o número ascende a 50%, se juntarmos as pessoas com diagnóstico e com suspeita de demência”, salientou Catarina Alvarez.

Para a coordenadora, é um número muito elevado e representa um problema que “ainda não está a ter a o enfoque devido”.

“Estamos com um problema grave a nível institucional”, disse, explicando que estas instituições têm cada vez mais pessoas com alterações cognitivas, mas a maior parte delas ainda não está preparada para as receber e prestar-lhes cuidados específicos.

Esta questão “tem de começar a ser encarada de frente de maneira a conseguir-se prestar cuidados de qualidade a essas pessoas”, defendeu.

Nos centros de dia, 30% dos utentes têm diagnóstico ou suspeita de demência, o que coloca “novos desafios” a estes equipamentos, que foram criados para um determinado público-alvo e “agora vêem-se confrontados com outras necessidades”.

“Esta resposta social foi criada para pessoas com uma relativa autonomia e muitas vezes a única solução que os cuidadores têm para não institucionalizar a pessoa num lar é colocá-la num centro de dia”, adiantou Catarina Alvarez.

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