Mais de 80% dos enfermeiros portugueses no Reino Unido recrutados por agências

A média de idades dos enfermeiros portugueses contratados é de 27 anos
12 de maio de 2014 - 13h50



Mais de 80 por cento dos enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido foram recrutados através de agências de emprego, conclui um inquérito do portal Diáspora dos Enfermeiros, que hoje apresenta a Associação de Enfermeiros Portugueses no Estrangeiro.



Dos 349 inquiridos, 11% de um universo oficial de 3.155 enfermeiros lusos inscritos no Nursing and Midwifery Council (NMC), entidade que regula a atividade no Reino Unido, 51% respondeu a um anúncio de emprego de uma agência empregadora britânica e 33% a uma agência portuguesa.



A média de idades é de 27 anos, predominando o intervalo entre os 22 e 27 anos, e 81 por cento dos inquiridos afirmaram ser solteiros, confirmando-se também que a esmagadora maioria desta vaga é composta por recém-licenciados.



O caso de Sabrina Ferreira, atualmente com 26 anos, é emblemático: terminou o curso em 2010 e no início de 2011 já estava a chegar ao Reino Unido, onde é atualmente enfermeira nas Urgências do St. Georges University Hospital.



O estrangeiro surgiu como uma opção que se confirmou ser inevitável após uma procura de trabalho infrutífera em Portugal, contou à agência Lusa: "Enviei cento e tal currículos; só recebi duas respostas e convite para uma entrevista para uma posição com dois mil candidatos".



O processo com a agência de recrutamento foi rápido, recordou, pois foi selecionada à primeira, seguindo num grupo com mais 40 enfermeiros portugueses, inicialmente para Tunbridge Wells, 80 quilómetros a sul da capital britânica.



As principais dificuldades, admitiu, foram a adaptação à comunicação em língua inglesa, sobretudo devido aos diferentes sotaques e uso de expressões populares, e também à forma de trabalho dos britânicos.



Mas em poucos meses conseguiu a transferência para um serviço que desejava, as urgências, algo que estima que em Portugal demoraria pelo menos 10 anos e dependeria de fatores nem sempre subjetivos.



"Eu não gosto de cá estar, não gosto da cultura. Estou cá para trabalhar, por causa da minha carreira. Mas não acho que conseguiria voltar já a Portugal porque não quero ser tratada como seria lá", confessou à Lusa.

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