Maioria dos seropositivos receia ter vida sexual e esconde infeção

A maioria das pessoas com VIH participantes num inquérito sobre a influência do vírus na sua vida afetiva receia ter vida sexual e esconde que está infetado por medo de ser rejeitado.

Os resultados do questionário “VIH e os Afetos” revelaram ainda que, no ano em que foram diagnosticados, 32% fecharam-se a novos relacionamentos e 21% deixaram de ter relações sexuais.

Desenvolvido pelo grupo MAIS - Mulheres Ativistas com Intervenção na Sociedade, da associação SER+, o inquérito pretendeu “dar voz às pessoas que vivem com a infeção VIH” e perceber a implicação que o vírus pode ter na “vivência dos afetos”, a nível social, de amizades, na relação com o parceiro e na decisão de ter filhos, disse à agência Lusa a coordenadora do estudo, Ana Duarte.

A amostra distribui-se equitativamente entre homens e mulheres, maioritariamente entre os 30 e os 55 anos e com escolaridade acima do terceiro ciclo. Dos 144 participantes, 94 são portugueses, 43 são oriundos de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e sete de outros países.

Quarenta e dois por cento dos participantes foram diagnosticados entre 2005 e 2012 e 38% entre 1995 e 2004, segundo o estudo que decorreu entre 22 de outubro e 12 de novembro.

A maioria (64%) tem algum tipo de receio em ter ou manter vida sexual e revelar a sua seropositividade, por medo de ser rejeitado (40%) e/ou de transmitir a infeção acidentalmente (37%).

Mais de metade sentiu medo de ser rejeitado e 75% lida “mal ou muito mal” com o diagnóstico, sendo as mulheres que reagem pior.

Setenta por cento dizem revelar sempre o seu estatuto serológico a parceiros quando estes são seropositivos, mas apenas 49% o faz quando os parceiros são seronegativos e 29% quando têm estatuto serológico desconhecido.

Quando receberam o diagnóstico, a tristeza, depressão e revolta contra si próprios foram os sentimentos mais comuns, que se foram alterando com o passar dos anos.

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