Lúpus: “Podemos ter uma vida normal, desde que sigamos o tratamento”

Entrevista
10 de maio de 2013 - 10h00
Maria João Antunes, da Associação de Doentes com Lupus, tem 55 anos e desde os 21 que sabe que sofre de lúpus.
Como é que soube que tinha lúpus?
Após muitos anos de sofrimento. Aos 12 anos comecei a ter fortes dores articulares e anemia, além do cansaço que não era de todo normal para uma criança com esta idade. Recebi muitas vezes tratamento para as dores e anemia, mas não se conseguia perceber qual era a sua causa.
A anemia tornou-se tão grave que cheguei a precisar de fazer transfusões de sangue. Aos 21 anos acabou por se descobrir a doença. Felizmente, hoje em dia, diagnostica-se o lúpus em muito pouco tempo.
Que complicações teve na sua vida por causa desta doença?
Costumo dizer que sempre consegui fazer tudo o que os outros jovens fazem, embora com alguns anos de atraso. Foi na adolescência que tive as piores crises da minha doença, o que me permitia fazer pouca coisa. Isto é, se estudava (o que foi sempre a minha prioridade) já não conseguia sair com os amigos. Terminado o curso liceal ainda comecei a trabalhar, mas tive de parar, pois a doença (e ainda sem saber qual era) não dava tréguas.
Durante 3 anos, após o diagnóstico, não consegui trabalhar, até que a doença entrou em remissão. O cansaço extremo também não facilita, mas podemos ter uma vida praticamente normal, desde que sigamos o tratamento. Aliás, o lúpus pode estar em fase de remissão durante anos.
Pode-se engravidar?
Sim. Aliás, estou arrependida de não ter tido filhos. Nesta área, os tratamentos estão muito avançados. O que se aconselha é que a gravidez aconteça numa fase de remissão do lúpus. Durante a gravidez até se costuma melhorar. O pós-parto é que pode ser mais complicado, devido ao stress físico e psicológico.
Que mensagem gostaria de deixar?
Para os doentes, quero deixar o alerta para a importância de se aceitar a doença, temos de aprender a viver e a conviver com ela, porque daí depende o nosso equilíbrio e bem-estar.
Devem seguir tratamentos e ser ativos, sem entrarem em esforço extremo. Para as restantes pessoas, fica a promessa de que a Associação de Doentes com Lúpus vai apostar cada vez mais na informação e divulgação sobre esta patologia que nem sempre se vê exteriormente.
Por Maria João Ramires
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