Lisboa consome mais de 50% do financiamento extraordinário do SNS

A área de Lisboa e Vale do Tejo consome mais de 50% do financiamento extraordinário do Serviço Nacional de Saúde, ultrapassando o montante global das regiões Norte e Centro (37,9%), mostram diplomas legais publicados em Diário da República.
créditos: Lusa

Os dados, a que a Lusa teve acesso, são relativos ao período entre 2012 e 2014 e mostram que apenas três dos 15 hospitais de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) consumiram 784 milhões de euros, mais 121 milhões de euros de financiamento extraordinário do Estado do que o total das 17 unidades hospitalares da região Norte.

Em causa estão injeções excecionais de dinheiro para os hospitais pagarem dívidas a fornecedores, que totalizaram naqueles dois anos 1.490 milhões de euros em LVT (50,8%), 663 milhões euros no Norte (22,6%) e 450 milhões euros no Centro (15,3%), descreve-se nos documentos que a Lusa consultou.

Juntando a região Norte à região Centro, o financiamento extraordinário estatal foi de 1.113 milhões de euros, o equivalente a 37,9% do total nacional e a menos 376 milhões de euros do que a região de LVT.

O Norte e o Centro tem uma população de 5.349.624 pessoas, ao passo que LVT tem 3.383.242, de acordo com os documentos a que a Lusa teve acesso.

No Norte investiu-se 182 euros per capita, no Centro 264 e em LVT 441 euros per capita.

Os valores não correspondem a todo o investimento do Estado nos hospitais e na saúde, mas mostram uma discrepância regional que vai ser abordada hoje pelo presidente da Câmara do Porto no programa Três Pontos, moderado pelo jornalista Hélder Silva na RTP Informação (22:00).

Nesta segunda participação no espaço de opinião, Rui Moreira leva como convidado António Ferreira, presidente do conselho de administração do Hospital de S. João.

O Centro Hospitalar de S. João aparece em sétimo lugar da lista dos 10 hospitais com maior financiamento extraordinário, com um montante de 131 milhões de euros, 4,5% do total nacional de 2,9 milhões de euros.

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