Liga Portuguesa Contra a SIDA "chocada" com resultados de estudo

O estudo contou com as respostas de 600 pessoas, inquiridas no final do ano passado.

11 de abril de 2014 - 14h01

A presidente da Liga Portuguesa Contra a SIDA disse hoje estar
"chocada" com os resultados de um estudo que mostra o pouco conhecimento
da população sobre a doença, defendendo a continuação de campanhas de
informação.

Trinta anos após o primeiro caso de SIDA em Portugal, o
estudo “VIH: 30 Anos, 30 Mitos”, encomendado por um laboratório e
realizado por uma empresa de estudos de mercado, mostrou que um em cada
cinco portugueses inquiridos considera que a infeção se pode transmitir
pelo beijo e atinge sobretudo os homossexuais, o que não é verdade.

"Enquanto
representante da Liga fico chocada porque continua a haver um
desinvestimento na informação e formação dos mais jovens e dos menos
jovens", afirmou Maria Eugénia Saraiva.

Este desinvestimento
"leva a que, na realidade, continue a haver uma perceção de que a
transmissão do VIH [vírus da imunodeficiência humana] se faz, por
exemplo, através da picada de um insecto, porque mais de 50% [dos
inquiridos] assim o referiram", disse.

"Há determinadas perceções
incorretas sobre o VIH/SIDA que nos tocam em particular, nomeadamente
no que diz respeito a que essa infeção atinja mais grupos vulneráveis ao
risco e não toda a população", sublinhou a responsável.

Esta
infeção "não tem cura, que tem uma vacina que se chama só a utilização
consistente do preservativo, ou seja, não tem vacina", afirmou,
acrescentando que tem havido bastante sucesso na terapeutica
antiretroviral, mas que é preciso continuar a apostar na informação e na
formação.

"Temos que ter esta temática na agenda politica e uma
boa articulação entre os ministérios da Saúde e da Educação", em termos
de campanhas de educação e promoção para a saúde.

Maria Eugénia
Saraiva considerou que este estudo se traduz em vários números que não
surpreendem a Liga Portuguesa Contra a SIDA, que está diariamente no
terreno, fala com as pessoas e sabe as respostas que elas têm em relação
à mudança de comportamentos e mentalidades.

"Continuamos a lutar
para que esta desinformação e a banalidade com que se fala desta
infeção não caia no esquecimento de todos, porque a doença poderá chegar
a todos, de A a Z, porque é altamente democrática", alertou.

O
não uso consistente do preservativo é outra situação que tem preocupado a
Liga, ao longo de 24 anos de trabalho, tal como é relatado pelos
números deste estudo, disse.

A presidente da Liga Portuguesa
Contra a SIDA destacou que as pessoas conhecem as vias de transmissão,
mas sublinhou que a gestão dessa informação "é mais complicada e tem a
ver com as crenças, as vivências".

"Temos de colocar esta infeção
na agenda política, continuar a dar informação, não ocasionalmente nem
pontualmente, nas escolas, mas falando com os jovens para que saibam que
é necessária uma proteção eficaz com o uso consistente do
preservativo", declarou.

Maria Eugénia Saraiva defendeu a
existência de mais campanhas, mais alertas para sublinhar que esta não é
uma doença que só atinge determinado tipo de população.

Lusa

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