Laboratório espera repor totalmente vacina da febre tifoide no final de março

Vacinas poderiam conter o princípio ativo em dose inferior à das especificações do produto
13 de janeiro de 2013 - 17h51



O laboratório Sanofi Pasteur MSD espera ter regularizada a comercialização da vacina contra a febre tifoide no final do mês de março, disse hoje fonte oficial da empresa à agência Lusa.



"Esperamos que a situação fique completamente regularizada até ao final de março. Temos vindo a repor o ‘stock’, mas de forma mais limitada", informou a fonte da empresa.



A vacina contra a febre tifoide foi recolhida do mercado pela empresa que a comercializa, em setembro de 2012. Fonte oficial da Sanofi Pasteur explicou que se tratou de uma recolha voluntária, a nível mundial.



Esta recolha aconteceu porque algumas das vacinas poderão "eventualmente" conter o princípio ativo (antigénio) em dose inferior à das especificações do produto.



A única vacina contra a febre tifoide disponível em Portugal estará esgotada nos vários centros de vacinação internacional. Durante uma visita do secretário de Estado da Saúde a Leiria, na segunda-feira, uma das enfermeiras da consulta do viajante, no centro de saúde Dr. Arnaldo Sampaio, denunciou a falta da vacina contra a febre tifoide e contra a poliomielite.



Segundo a enfermeira, o centro de vacinação internacional de Leiria só tinha três vacinas contra a febre amarela, na segunda-feira.



O responsável pelo serviço de Saúde Pública de Leiria, Jorge Costa, desvaloriza a situação, salientando que não existe qualquer problema de saúde pública. "É uma situação pontual, que será reposta em breve."



Graça Freitas, subdiretora geral da Saúde, confirma que a "vacina que está em rutura é a vacina contra a febre tifoide, devido a um problema no fabrico". A responsável acrescenta que "não há previsão de reposição de ‘stocks’ por parte da firma que fornece a vacina".



A vacina contra a febre tifoide não faz parte do grupo daquelas que estão definidas pelo Regulamento Sanitário Internacional como obrigatórias para viajar para determinados países. Por isso, a Direcção-Geral de Saúde recomenda o "reforço da informação sobre medidas de higiene alimentar", garantindo que "a falta desta vacina não põe em risco a saúde pública".



Segundo a Sanofi Pasteur, em Portugal são vendidas mais de 20 mil vacinas contra a febre tifoide por ano.



A febre tifoide é uma doença causada pela bactéria salmonella typhi, mais frequente em regiões com mau saneamento básico. A infeção adquire-se através da ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes de indivíduos infetados.



Esta doença apresenta sintomas semelhantes a uma gripe ou constipação, nomeadamente febre, dores de cabeça ou dores abdominais. O quadro gastrointestinal pode complicar-se e ser até fatal.



A vacina está indicada a algumas pessoas que viajam para regiões consideradas de risco, nomeadamente países em vias de desenvolvimento marcados por condições sanitárias precárias.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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