Justiça está a investigar médicos que trabalham em vários locais à mesma hora

Inspeção concluiu que havia médicos escalados no Hospital de Santa Maria a operar doentes no privado

24 de junho de 2014 - 11h01

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) enviou para o Ministério Público (MP) casos de médicos que detetados a trabalhar em vários hospitais, públicos e privados, à mesma hora.

A notícia é avançada esta terça-feira (24.06) pelo jornal Público. Um dos casos que já seguiu para o MP é o do filho do ex-diretor da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), que criou em 2009 uma empresa de prestação de serviços com o então diretor da Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria (Lisboa), que terá servido para celebrar contratos com a instituição dirigida pelo pai. O contrato terá custado ao erário público mais de 200 mil euros.

A situação foi detetada pela IGAS durante uma investigação aberta após uma denúncia à administração do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, sobre três cirurgiões plásticos que trabalhavam no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e que alegadamente prestavam serviços, à mesma hora, em estabelecimentos de saúde públicos e privados.

A prática, reiterada, terá lesado o Serviço Nacional de Saúde em vários milhares de euros.

Um dos médicos, por exemplo, estava escalado para a urgência do HSM, mas há registos de estar a operar doentes no hospital da Cuf e da MAC, enquanto outro terá conseguido fazer cirurgias no Hospital dos Lusíadas, na Clínica de Todos-os-Santos e no Hospital de St. Louis, nos mesmos horários em que estava escalado para o HSM. O último desdobrar-se-ia entre a MAC e o Hospital da Cruz Vermelha.

De acordo com as investigações levadas a cabo pela IGAS, ao longo dos anos de 2011 e 2012, terão sido várias as sobreposições de horários.

Um dos médicos visados, diretor do serviço de cirurgia plástica do Santa Maria, acabou por pedir uma licença sem vencimento no hospital público, pouco depois da investigação ter sido aberta.

O caso da sobreposição de horários no Santa Maria não é único no Serviço Nacional de Saúde. A IGAS identificou mais 14 médicos (dois ortopedistas, três cardiologistas e vários médicos de família) e um técnico superior suspeitos de acumularem escalas simultâneas em vários hospitais, segundo avançou o semanário Expresso, em abril.

Por SAPO Saúde

artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários