Jovem com leucemia perde isenção de taxas por 41 euros

Juros de dinheiro angariado para tratamentos no estrangeiro entraram no cálculo do rendimento familiar que ultrapassou o máximo previsto na lei para ter direito a isenção - 628,28 euros por mês - e, por isso, família monoparental perdeu o direito à isenção do pagamento de taxas moderadoras.
créditos: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

João Pedro Calisto sofre de uma leucemia linfoblástica há dez anos e a sua mãe, Glória, tem vindo a angariar dinheiro para o jovem fazer mais tratamentos e ter melhor qualidade de vida. A mãe depositou no banco o dinheiro angariado - cerca de 12 500 euros -, o que lhe rendeu em juros 41 euros. E foi isso que levou esta família a perder a isenção das taxas moderadoras. A história é avançada pelo jornal Mirante.

Foi há cerca de dois meses que Glória percebeu que ela e João Pedro, até então isentos do pagamento de taxas moderadoras por insuficiência económica, tinham perdido o direito a este benefício, quando o levou a uma consulta no Centro de Saúde da Chamusca e foi obrigada a pagar taxa moderadora.

Hoje com 17 anos, João já experimentou sucessivos tratamentos, nomeadamente um transplante de medula óssea, e tem feito quimioterapia no Serviço Nacional de Saúde, mas a mãe quis tentar outro tipo de terapias que não são pagas pelo Estado e, para isso, organizou várias iniciativas para recolha de fundos.

O dinheiro angariado, segundo explicou a mãe, tem sido usado nos últimos tempos para pagar tratamentos de medicina chinesa, medicamentos que não são fornecidos pelo Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, onde João é seguido, e para fazer exames numa clínica na Alemanha.

Porém, o dinheiro angariado em campanhas de solidariedade entrou para o rendimento do seu agregado familiar e, por isso, esta família monoparental perdeu a isenção.

Para voltar a ter direito à isenção, João Pedro Calisto terá de se apresentar a uma nova junta médica e pagar 50 euros.

Entretanto o caso já chegou ao Parlamento. “É um caso insólito”, critica o deputado do PCP António Filipe, em declarações ao jornal Público.

O deputado questionou o Governo para tentar esclarecer a situação, já que discorda que alguém que recorra a ações de solidariedade seja penalizado no acesso aos cuidados públicos de saúde.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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