Já nasceram cinco bebés do Banco Público de Gâmetas e outros vêm a caminho

Candidatos masculinos têm de ter entre 18 e 40 anos e são submetidos a testes rigorosos
7 de junho de 2013 - 15h26



O Banco Público de Gâmetas, a funcionar desde maio de 2011 na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, já proporcionou o nascimento de cinco bebés concebidos com sémen de dador.



Isabel Sousa Pereira, diretora da unidade, salientou que, além dos bebés que já nasceram, há outras mulheres grávidas.



A responsável congratulou-se com o facto de em dois anos de funcionamento, o único banco público de gâmetas português ter resolvido o problema de todos os casais inscritos na sua lista de espera para tratamentos de procriação medicamente assistida com gâmetas de dador.



Isabel Sousa Pereira referiu que dos cerca de 160 candidatos a dadores que contactaram o banco “cerca de 70% ficaram pelo caminho”, porque chumbaram no estudo feito à sua história clínica e familiar.



Os candidatos têm de ter entre 18 e 40 anos, no caso dos homens, e entre 18 a 35 anos, no caso das mulheres. Todos têm de se submeter “a um rigoroso estudo que inclui análises genéticas, marcadores de hepatite, HIV e outros. Nas mulheres é feito também um estudo hormonal”, sustentou a médica.



“Aos candidatos que ficam pelo caminho são-lhes explicados de forma muito clara os motivos e, em caso de necessidade, são orientados para consultas”, acrescentou.



No total, no que se refere aos gâmetas masculinos, foram realizados cerca de uma centena de tratamentos e os ciclos efetuados resultaram numa taxa de gravidez de cerca de 30%.



“Não temos nenhum casal em lista de espera, esses 30% de gravidezes correspondem ao que era expectável”, frisou.



O número de ciclos de tratamentos em relação às dadoras de óvulos é “bastante inferior”, mas a taxa de gravidez “ronda os 60 por cento”, salientou Isabel Sousa Pereira.



A responsável pelo banco público não quis, contudo, revelar dados sobre o número de gravidezes nem de eventuais nascimentos resultantes de dadoras de óvulos por considerar que isso “levantaria o véu do anonimato”.



“É um processo diferente do dos homens. As mulheres sabem exatamente quando foi feito o seu ciclo de ovulação e, portanto, não seria difícil adivinhar se determinado bebé resultaria da sua dádiva ou não”, justificou.



Isabel Sousa Pereira explicou à agência Lusa que, para já, as amostras – sémen e óvulos - ainda não estão a ser disponibilizadas para outras instituições públicas, pelo que os casais que necessitem de gâmetas doadas têm de ser atendidos na Maternidade Júlio Dinis, do Centro Hospitalar do Porto.



O Banco Português de Gâmetas é financiado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo a sua criação sido autorizada pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2011.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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