IPO do Porto já faz teste que permite detetar a partir do sangue o melhor tratamento para o cancro

O Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto) anunciou hoje que já disponibiliza a pesquisa de mutações tumorais através de uma simples amostra de sangue, permitindo aos doentes com cancro colorretal avançado ser “mais facilmente testados e monitorizados”.
créditos: AFP

“Trata-se de mais um passo na medicina personalizada que permitirá escolher o melhor tratamento nos doentes com cancro colorretal avançado de uma forma mais rápida, menos invasiva e muito sensível”, sublinha o IPO-Porto, em nota de imprensa enviada à Lusa.

A instituição hospitalar esclarece que, “por exemplo, se o doente tiver sido inicialmente operado noutra instituição, ou apresente um diagnóstico de doença avançada, não é necessário recorrer a amostras do tumor”. “Cerca de 55% dos doentes com cancro colorretal metastático têm mutação nos genes KRAS ou NRAS e respondem de forma distinta aos tratamentos existentes, nomeadamente à terapia com anticorpos monoclonais que atacam especificamente o recetor do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Deste modo, torna-se importante utilizar tecnologias de grande sensibilidade para detetar estas mutações”, explica.

Este novo teste pode também ser usado para monitorizar a resposta do tumor ao tratamento. “Com efeito, os tumores podem mudar com o tempo e com o tratamento prescrito, pelo que a possibilidade de realizar esta análise em amostras de sangue possibilita fazer uma avaliação ao longo do tempo, quer da resposta, quer do mecanismo de uma eventual resistência ao tratamento”, sustenta o IPO.

Acrescenta que “este novo teste poderá desde já ser utilizado em doentes na decisão clínica, de usar ou não terapia anti-EGFR, uma vez que foi aprovada como teste de diagnóstico (marcação CE-IVD)” e o Serviço de Genética do IPO Porto foi certificado para realizar esta análise. Ainda segundo o instituto, “este novo equipamento poderá ser usado em investigação de novas aplicações clínicas, nomeadamente para outros tipos de cancro”.

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artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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