IPO de Lisboa está a criar medidor da dor oncológica

A intensidade da dor está relacionada com o tempo que os médicos demoram a controlá-la
1 de fevereiro de 2013 – 19h03



O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa está a trabalhar na definição de um índice da dor nos doentes com cancro, que permita, numa primeira consulta, fazer uma melhor triagem dos pacientes e tratar de imediato os prioritários.



"Os doentes não mentem, têm razão em dizer que têm dor. Os que têm mais dor vão ter mais problemas ao longo do tempo", defende Paulo Reis Pina, da Clínica da Dor do IPO de Lisboa, frisando que "ainda há doentes a morrer com sofrimento".



O estudo abrangeu 264 doentes com mais de 18 anos, com cancro ativo e dor oncológica, que foram recrutados entre 2009 e 2010 e seguidos durante 70 dias. Oitenta dos pacientes morreram.



A avaliação da dor - inicial - por parte dos doentes foi medida numa escala de 0 a 10 valores. A maioria dos pacientes tinha uma dor média superior a sete valores.



Os resultados preliminares do estudo revelaram que os doentes com mais dor necessitaram de mais tempo para controlá-la, tomaram mais medicação, e em maiores doses, desenvolveram mais efeitos adversos, foram mais à urgência e telefonaram mais vezes.



A investigação concluiu que a intensidade da dor está relacionada com o tempo que os médicos demoram a controlá-la, bem como com as doses inicial e final de medicamentos para combater a dor (opióides) dadas ao doente.



"Demorámos, em média, 19,3 dias para controlar a dor de um doente", assinalou Paulo Reis Pina, destacando o tramadol, a morfina e a buprenorfina como os melhores opióides para provocar esse efeito.



O coordenador do estudo salientou, porém, que em 12 por cento dos casos - os mais graves, o de doentes com dores insuportáveis e referenciados mais tardiamente - não foi possível controlar a dor.



O estudo, recentemente premiado com 2.500 euros pela Associação para o Desenvolvimento da Terapia da Dor, pretende cruzar toda a informação recolhida para perceber se a intensidade da dor oncológica varia concomitantemente com o sexo do doente, o tipo de tumor, estados depressivos e cognitivos e outras doenças.



SAPO Saúde com Lusa


artigo do parceiro: Nuno Noronha

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