Investigadores portugueses querem combater resistência à quimioterapia

Coimbra desenvolve estudos para ultrapassar elevada toxicidade da cisplatina
5 de março de 2014 - 10h24



Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver estudos para ultrapassar a “elevada toxicidade” da cisplatina (fármaco utilizado em tratamento de cancros) e “a resistência adquirida pelos pacientes” à quimioterapia, anunciou hoje a instituição.



Experiências realizadas por “uma equipa de investigadores da UC, no Centro de investigação ISIS”, no Reino Unido, obteve “resultados altamente promissores”, que “representam um passo significativo no sentido de ultrapassar dois dos grandes problemas da cisplatina e fármacos análogos – a sua elevada toxicidade e a resistência adquirida pelos pacientes ao tratamento quimioterapêutico”, afirma a UC, numa nota hoje divulgada.



Os ensaios permitiram “uma melhor compreensão do modo como a glutationa (antioxidante celular) contribui para a resistência adquirida à cisplatina, fármaco muito aplicado no tratamento de vários tipos de cancro (pulmão, testículo, ovário e bexiga, entre outros)”.



Liderada por Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, a equipa de especialistas conseguiu, simultaneamente, “mascarar” o fármaco com “um veículo à base de ciclodextrina (polímero de açúcares), para impedir o seu contacto com a glutationa e, assim, fazê-lo chegar eficazmente ao tumor onde exercerá o seu efeito terapêutico”.



Fenómenos celulares ainda por desvendar



Perceber como “a glutationa sequestra a cisplatina, impedindo-a de chegar ao alvo em doses apreciáveis – apenas uma pequena percentagem da dosagem administrada ao doente chega às células cancerígenas – e encontrar uma forma de ultrapassar este tipo de resistência, permitirá desenvolver formulações farmacológicas mais eficazes e menos tóxicas para o doente”, sustentam Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho.



A equipa de investigadores vai deslocar-se novamente ao ISIS para continuar as experiências, que “terão desta vez como objetivo verificar se o fármaco (cisplatina e novos compostos análogos) encapsulado em ciclodextrinas não é afetado pela glutationa, evitando-se deste modo o seu consumo antes de atingir o alvo terapêutico”.

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