Investigadores manipulam super-células do sistema imunitário para proteger doentes do HIV

Células-T alteradas geneticamente com mutação que dá resistência à ação do HIV
Investigadores norte-americanos utilizaram uma terapia recém-descoberta que permitiu redirecionar o sistema imunitário de 12 pacientes com HIV para protegê-los contra a ação do vírus, causador da Sida. A experiência aumenta a perspetiva de que os pacientes não venham a precisar de medicamentos diários para controlar a infeção.



No estudo, foram retirados glóbulos brancos (células responsáveis pelo combate a infeções) aos doentes, células estas que foram modificadas e depois reinjetadas nos mesmos doentes. O estudo, divulgado na publicação científica New England Journal of Medicine, garante que a técnica é segura.



Algumas pessoas já nascem com uma mutação genética rara que os protege do HIV. Essa alteração na estrutura das células-T faz com que os vírus não consigam entrar nas células, nem que se multipliquem no corpo humano. O que agora os investigadores da Universidade da Pensilvânia querem fazer é adaptar os próprios sistemas imunitários dos pacientes para lhes dar a mesma defesa.



Em laboratório



Os cientistas tiraram milhões de células-T do sangue dos pacientes e cultivaram-nas em laboratório até que os médicos tivessem milhares de milhões de células com as quais pudessem trabalhar. A equipa alterou então o DNA dentro das células-T para lhes dar a mutação protetora - conhecida como CCR5-delta-32.



Cerca de 10 mil milhões de células foram então reinjetadas, ainda que apenas 20% tivessem sido modificadas com sucesso. Quatro semanas depois, o número de células-T não protegidas no corpo era bastante reduzido, enquanto que as células modificadas pareciam estar protegidas do vírus. Estas encontravam-se no sangue ainda vários meses depois.



Este tipo de tratamentos ainda se encontra numa fase experimental. Na área da oncologia, por exemplo, várias clínicas em todo o mundo já usam esta técnica de manipulação de células-T no tratamento de certos tipos de cancro.



Mais experiências serão necessárias para provar a eficácia desta descoberta no campo do HIV.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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