Investigadores europeus criam “solução inovadora” para doentes cardíacos

Trinta investigadores portugueses, espanhóis, italianos e croatas desenvolveram uma “solução inovadora” de apoio a pacientes em reabilitação cardíaca que permite recuperar a qualidade de vida do doente, anunciou hoje a Universidade de Coimbra.
créditos: AFP

Um consórcio de “três dezenas de investigadores de Portugal, Espanha, Itália e Croácia”, que se reuniram para “dar resposta a um desafio colocado pela indústria”, criaram um Sistema Avançado de Gestão e Apoio a Pacientes em Reabilitação Cardíaca, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota divulgada esta segunda-feira.

Adotando tecnologias já existentes, o consórcio criou “um sistema único que, além de “gerir e monitorizar toda a reabilitação do paciente”, também permite que a respetiva equipa médica avalie “remotamente a evolução do estado de saúde” e preveja “a evolução do estado do paciente no curto prazo, bem como riscos de eventos cardiovasculares sérios com um mês de antecedência”, sublinha a UC.

A investigação, desenvolvida no âmbito do projeto “HeartWays”, financiado em um milhão de euros pela União Europeia, surgiu na sequência do desafio lançado pela empresa tecnológica espanhola TSB.

Além de constatar que a doença cardiovascular é “a principal causa de morte na Europa”, a empresa espanhola verificou que a “reabilitação cardíaca dos pacientes, baseada em exercícios, após alta hospitalar” – cujos benefícios foram demonstrados através de pesquisas recentes –, não era adotada pelos clínicos por falta de “estruturas de resposta”.

Mas a situação “pode ser colmatada com a existência de um sistema de gestão e monitorização da terapia de forma remota”, concluiu a TSB, que, para isso, reuniu parceiros para, em conjunto, desenvolverem um sistema capaz de solucionar o problema.

No âmbito deste projeto, uma equipa da UC foi responsável pelo desenvolvimento dos algoritmos inteligentes de predição personalizada.

“Os algoritmos incorporados no sistema modular são capazes de prever se no espaço de um mês o doente corre o risco de ter um evento cardiovascular sério, prever a evolução da pressão arterial (antecipa episódios de hipotensão ou hipertensão) e detetar a evolução do peso e do ritmo cardíaco, parâmetros relevantes para a decisão clínica”, explicam Jorge Henriques e Paulo de Carvalho.

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