Investigadores do Porto criam ferramenta para traduzir língua gestual em aulas

Estudo teve a comparticipação de 100 mil euros pela Fundação Ciência e Tecnologia
23 de julho de 2014 - 09h29
Uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a desenvolver uma ferramenta de tradução bilateral da Língua Gestual Portuguesa que poderá fazer parte das suas salas de aula já no final do ano.
O projeto – ‘Virtual Sign’ – passa pelo desenvolvimento de “um tradutor bidirecional de língua gestual [que] permite a tradução de Língua Gestual Portuguesa de gesto para texto e de texto para gesto”, começou por explicar à Lusa Paula Escudeiro, professora no ISEP e mentora da investigação.
Três anos depois da sua aprovação, e comparticipação de 100 mil euros pela Fundação Ciência e Tecnologia (FCT), o ‘Virtual Sign’ conta com dois dispositivos externos – uma luva com sensores e uma câmara Kinect (câmara com sensor utilizada em consolas de jogos) – que permitem identificar os gestos, movimentos corporais e faciais e “traduzi-los para texto” que é então “transmitido para um computador”.
“Na outra direção, escrevendo um texto, por exemplo num computador, permite que um ‘avatar’ [representação gráfica de uma pessoa] identifique o texto que está a ser escrito e o transforme em gesto. É esta a tradução bidirecional”, acrescentou a investigadora.
A ideia surgiu depois de a equipa de investigadores, também professores, se terem deparado com situações em que alunos com deficiências auditivas manifestavam maiores dificuldades em acompanhar as aulas.
“Começamos a pensar um pouco nisso e surgiu-nos a ideia de criar algo que permitisse ajudar esses alunos a estarem incluídos no nosso processo de ensino”, assinalou.
Paralelamente, a equipa está também a criar “um jogo educativo que permita ensinar e aprender a língua gestual portuguesa”.
O projeto está em fase de testes, já foi experimentado em contexto de sala de aula, com resultados “muito bons”, mas a sua fase de desenvolvimento “ainda não terminou”.
Paula Escudeiro espera que a sua utilização em salas de aula arranque “mal termine o período alocado para produção” do projeto, prevendo que o mesmo suceda “mais ou menos no final deste ano”.
Para além das aulas no ISEP, os investigadores querem fazer chegar o ‘Virtual Sign” a outros contextos de formação, e até a “outros domínios do próprio dia-a-dia”, e estão também a preparar-se para concorrer a projetos de financiamento de nível internacional que permitam o alargamento a mais línguas.
A equipa, coordenada pelo ISEP, inclui também investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, da Universidade Aberta e uma profissional em Língua Gestual Portuguesa.
Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

Comentários