Investigadores do Porto ajudam a reduzir mortalidade materna e infantil em África

Projeto internacional conta com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto

19 de agosto de 2013 - 11h44

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) integram um projeto internacional que visa contribuir para a redução da mortalidade materna e infantil em África, nomeadamente em Moçambique, Quénia, Malawi e Burquina Faso.

De acordo com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, o projeto chama-se MOMI - Missed Opportunities in Maternal and Infant Health e pretende reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil em África, através da melhoria da prestação de cuidados de saúde no período pós-parto.

Este projeto internacional, que entra agora na sua fase de implementação no terreno, conta com a participação do ISPUP, através da presença de dois investigadores.

O MOMI é “baseado na hipótese de que há várias oportunidades perdidas no que concerne aos cuidados de saúde prestados na altura do parto e do pós-parto. Estas oportunidades perdidas verificam-se em situações facilmente preveníveis e que de outra forma são geralmente causadoras de mortes, tais como hemorragias ou infeções (no caso das mães) ou em complicações surgidas de partos prematuros”, explica o ISPUP.

Para colmatar estas oportunidades perdidas, os investigadores propõem um conjunto de intervenções, focadas no período pós-parto (no caso das saúde das mães) e na saúde dos recém-nascidos e até ao seu primeiro ano de vida.

A decorrer em quatro regiões de Moçambique, Quénia, Malawi e Burquina Faso, este projeto acaba de passar da fase de análise e diagnóstico para a fase de intervenção e implementação das medidas no terreno.

“Uma das particularidades do projeto MOMI é, justamente, a metodologia das intervenções. Fortemente baseadas na investigação científica e no diagnóstico realizado, estas intervenções, em contraste com outros projetos, não estarão exclusivamente a cargo dos investigadores e profissionais de saúde estrangeiros mas serão entregues aos serviços de saúde locais”, salienta o Instituto de Saúde Pública.

Esta metodologia de ação “permite alavancar o desenvolvimento regional e faz prever que as práticas e os sistemas de saúde locais saiam fortalecidos, uma vez que os contextos específicos são levados em conta e as soluções surgem dos recursos existentes”, sustenta.

Para além do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, este projeto conta ainda com dois parceiros europeus e mais cinco parceiros africanos.

Em Portugal, segundo dados de 2011 fornecidos pelo INE, estima-se que haja 5.2 óbitos de mães por cada 100 mil partos. Nos quatro países africanos em que este projeto decorre, dados recentes apontam para que este número oscile entre os 294 e os 675 óbitos (no Quénia e Malawi, respetivamente) por cada 100 mil partos.

SAPO Saúde com Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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