Investigadores de Coimbra criam sensor que deteta substância tóxica na água e no solo

Produto poderá ser posto no mercado em breve
23 de setembro de 2013 - 10h08



Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) conceberam um biossensor que deteta o nível de cromato – “ião altamente tóxico do crómio hexavalente” – na água ou no solo em “apenas três horas”, anunciou hoje a instituição.



A nova “bioferramenta, com aplicação na resolução de problemas de contaminação por metais pesados”, baseia-se em “células modificadas por processos de engenharia genética, extraídas de bactérias capazes de sobreviverem em ambientes extremos”, adianta a UC.



Depois de isolarem “as bactérias de interesse” (a partir de “um vasto conjunto de organismos microbianos recolhidos em locais contaminados”) e de estudarem os seus mecanismos, os investigadores identificaram o “gene envolvido na resistência ao cromato”, a partir do qual conceberam o biossensor, “modificando células existentes e fabricando novas” células, explicitaram Paula Morais e Rita Branco, coordenadoras da investigação.



Tratou-se, genericamente, de concretizar “uma fusão entre o gene sensor de crómio e um gene repórter que, quando deteta o cromato, transmite a informação, emitindo uma fluorescência verde”, salientam as especialistas em microbiologia ambiental.



“Simples e 100% verde”, a nova ferramenta para “fiscalizar” o ambiente permite obter resultados com muito mais rapidez do que em relação aos métodos químicos convencionais, referem as investigadoras, destacando que essa é uma das “grandes vantagens” do sensor.



Método barato



Além de detetar “em apenas três horas” a presença do cromato, quantificando o nível de toxicidade, o sensor caracteriza-se também pela “robustez da informação” que fornece e pelo “custo significativamente inferior” em relação aos métodos disponíveis.



“Da bateria de ensaios realizados, o biossensor revelou elevada seletividade, ou seja, identificou apenas o cromato, ignorando os restantes elementos presentes”, refere a UC, numa nota hoje divulgada.



Com “elevado potencial”, a nova ferramenta pode “desempenhar um papel importante na resolução de problemas de contaminação de solos e de água por este metal pesado extremamente tóxico e reconhecido como um agente cancerígeno, em zonas de concentração de indústrias de aço, cromagem e curtimento de peles”.



Os investigadores da UC estudam agora o desenvolvimento de “um ‘kit’ que torne o biossensor portátil” e de “utilização simples”, características que serão “a chave para a sua entrada no mercado”, acreditam as coordenadoras do projeto.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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