Investigadores da Universidade de Aveiro produzem coroas dentárias mais baratas e resistentes

O segredo está nos ingredientes usados e na forma como são processados
11 de janeiro de 2013 - 18h25



Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um novo material para o fabrico de coroas dentárias mais barato e resistente do que os utilizados atualmente, informou hoje a instituição.



"O novo material, igualmente produzido a partir da cristalização controlada de compostos vítreos, além de abrir as portas à descida dos preços na hora de recompor os dentes, já que tem um processo de produção simplificado, bate na qualidade as coroas dentárias que os dentistas têm hoje à disposição", refere uma nota da UA.



Segundo os investigadores, o segredo está nos ingredientes usados e na forma como são processados.



"O material vitrocerâmico que desenvolvemos tem menos componentes, nomeadamente no que diz respeito aos óxidos, e resulta do tratamento térmico que apurámos", explica José Maria Ferreira, responsável pelo Grupo de Processamento de Materiais Avançados do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.



O investigador assegura que o material vitrocerâmico desenvolvido pela academia de Aveiro "é mais barato, por ser mais simples de fabricar", e "tem um desempenho superior" ao material usado atualmente nas coroas dentárias.



"Testámos as composições dos materiais vitrocerâmicos que estão no mercado, processámo-las da mesma maneira que os nossos e os resultados ficaram aquém dos resultados obtidos nas nossas composições", aponta José Maria Ferreira.



Produzidos a partir da cristalização controlada de materiais vítreos, através de um tratamento térmico a altas temperaturas, os vitrocerâmicos à base de dissilicato de lítio estão entre os produtos mais usados em aplicações dentárias.



A utilização desse ingrediente deve-se à sua dureza e a elasticidade, muito semelhantes ao dente humano.



"A dureza dos materiais para fabricar as coroas dentárias deve ser muito semelhante à que existe nos nossos dentes, caso contrário, se for muito mais duro, vai desgastá-los", explica o investigador.



O processamento do material está no segredo do laboratório e promete, no futuro, trazer outras aplicações para além das coroas dentárias.



Atualmente, o Grupo de Processamento de Materiais Avançados da UA está a estudar o uso deste material em proteções balísticas à base de materiais vitrocerâmicos.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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