Investigadora de Coimbra premiada por identificar alvo terapêutico para Parkinson

Trabalho desvendou que principal causa da doença de Parkinson é disfunção da mitocôndria
17 de março de 2014 - 17h08



A investigadora da Universidade de Coimbra Sandra Morais Cardoso é a vencedora do Prémio Janssen Neurociências, de 50 mil euros, pela identificação de novas possibilidades terapêuticas para a doença de Parkinson.



O trabalho científico, que está a ser desenvolvido desde 2009, permitiu, numa primeira instância, descobrir a principal causa da doença de Parkinson, que será a disfunção da mitocôndria, responsável pela produção de energia nas células.



A equipa liderada por Sandra Morais Cardoso e composta pelas alunas de doutoramento Ana Raquel Esteves e Daniela Arduino identificou duas estratégias diferentes que permitem "diminuir as lesões patológicas", a partir dessa primeira descoberta.



Uma das estratégias passa pela inibição da enzima Sirtuína 2 que, quando ativada erradamente, era responsável pela modificação da tubulina, uma componente fundamental nas "autoestradas" do neurónio, explicou a investigadora.



Outro alvo terapêutico passou pela utilização de uma molécula que liga os microtúbulos do neurónio (as autoestradas) e que leva a que estes "funcionem melhor", aclarou.



"Esperemos que as terapêuticas sejam aplicadas a doentes de Parkinson", afirmou Sandra Morais Cardoso, considerando, contudo, que não quer dar "falsas esperanças".



Recordou que, "no mínimo dos mínimos", levará mais dez anos até que a descoberta possa ser aplicada em humanos, tendo que haver antes ensaios com animais.

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