Investigadora de Coimbra alerta para a falta de enfermeiros

Especialista lamenta má distribuição dos serviços e falta de equidade em todo o país
22 de julho de 2014 - 10h55



A professora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) Ananda Fernandes considerou hoje que o país "vai pagar muito caro" a falta de enfermeiros nos hospitais e unidades de cuidados de saúde primários.



Face à dificuldade de acesso "a cuidados de saúde" e ao défice de enfermeiros, os doentes "morrem mais cedo" por falta de cuidados de enfermagem, afirmou Ananda Fernandes, sublinhando que a população envelhecida é das mais afetadas.



"Os idosos têm vulnerabilidades particulares e precisam de cuidados que requerem enfermeiros. E como em Portugal temos um défice de enfermeiros, os idosos não têm os cuidados de enfermagem que necessitariam e irão morrer seguramente mais cedo", observou a docente da ESEnfC e também futura diretora do Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS) para Enfermagem e Obstetrícia em Portugal.



Outros grupos vulneráveis, como as crianças ou mulheres, também "estão sujeitos a esse risco", referiu, frisando que, "quando as unidades de saúde estão dotadas de pessoal qualificado em enfermagem, isso diminui a mortalidade dos doentes".



Ananda Fernandes recordou também que o maior número de pessoas com doença crónica exige "cuidados especializados", nomeadamente de enfermagem, que por vezes não é dado por falta de enfermeiros, quando "todos os anos licenciados deixam o país para trabalhar lá fora".



A iniquidade passa também "pela má distribuição em Portugal de cuidados de saúde, havendo regiões que não têm o mesmo acesso a cuidados de saúde", constatou.



A docente salientou ainda que a enfermagem vive de momento "uma revolução em termos de desenvolvimento", alertando que esta revolução "não passa apenas pela qualificação académica", mas também por "dotações nas diversas instituições que permitam que essas qualificações melhorem a saúde das pessoas".



Ananda Fernandes irá dirigir o Centro Colaborador da OMS para Enfermagem e Obstetrícia, anúncio que será feito durante a 10.ª edição da Conferência da Rede Global de Centros Colaboradores para Enfermagem e Obstetrícia, que decorre entre quarta-feira e sexta-feira, no centro de congressos do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.



O encontro, com a organização da ESEnfC, pretende debater "o contributo dos enfermeiros no combate às iniquidades no acesso à saúde".



A designação da instituição de Coimbra como Centro Colaborador é "o reconhecimento de que o trabalho da Escola é útil para os desígnios da Organização Mundial da Saúde", referiu Ananda Fernandes.



Este será o primeiro Centro Colaborador para Enfermagem e Obstetrícia na Península Ibérica.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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