Investigador português saúda Nobel para terapias contra parasitas

O investigador português Henrique Silveira considerou "bem atribuído" o Prémio Nobel da Medicina, que distinguiu três cientistas que criaram três novas terapias eficazes para combater doenças tropicais.

Closer view of an Aedes Aegypti mosquito (dengue fer vector) inside a house in Santa Barbara neighborhood north outskirst Guatemala city on July 11, 2013. Guatemalan government keep a strategic plan for the prevention and control of dengue. AFP PHOTO/Johan ORDONEZ

créditos: AFP

Em declarações à agência Lusa, o professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) defendeu que a atribuição do Nobel da Medicina ao norte-americano William C. Campbell, ao japonês Satoshi Omura e à chinesa Youyou Tu tem a "grande vantagem de chamar a atenção para problemas bem reais".

A academia sueca distinguiu na segunda-feira os investigadores norte-americano e japonês pela descoberta de uma nova terapia para combater doenças parasitárias, bem como a chinesa Youyou Tu por um novo fármaco, igualmente inovador, que permitirá, nos próximos anos, lutar eficazmente contra a malária.

"Estas descobertas estão a fazer a diferença e a grande vantagem (do prémio) é a de vir chamar a atenção para os problemas reais", ligados à malária, no caso de Youyou Tu, e à cegueira dos rios e à elefantíase, sublinhou Henrique Silveira, formado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, com pós-graduações no Imperial College e no London School, ambos em Londres.

Para Henrique Silveira, em relação à cegueira dos rios e à elefantíase, o prémio vem também chamar a atenção para o que considerou como "doenças negligenciadas" pelo Ocidente, tal como já referira à Lusa a parasitologista portuguesa Maria Manuel Mota, do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Medicina de Lisboa.

"Estas doenças afetam sobretudo os países de baixos rendimentos e raramente chegam aos mais desenvolvidos, não afetando tanto como a malária", sublinhou, lembrando, porém, haver cerca de 100 milhões de casos anuais em todo o mundo.

Sobre a malária, Henrique Silveira destacou que o novo fármaco, a Artemisinina e respetivos derivados, tem levado à obtenção de resultados "muito positivos" no combate pela erradicação do paludismo, que afeta mais de 3.400 milhões de pessoas e provoca anualmente cerca de 450 mil mortes, grande parte delas crianças.

No entanto, defendeu que a investigação não pode parar, uma vez que o novo medicamento, eficaz em África, já está a ser alvo de algumas resistências no sudeste asiático, apelando, por isso, para mais fundos internacionais destinados à investigação.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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