Investigador alerta para possível novo surto de dengue em Angola

Mosquito que transmite o dengue está ativo durante o dia e não só à noite, alerta investigador
28 de novembro de 2013 - 15h05
O investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical Jorge Atouguia alertou hoje para a possibilidade de um novo surto de dengue em Luanda, agora que começou o período das chuvas, e avisou os portugueses para se protegerem.
"É preciso estar alerta, agora que já começou o período das chuvas, para os próximos casos que irão provavelmente começar a acontecer", disse o especialista, admitindo temer "um novo surto como no ano passado".
Em entrevista à Lusa a propósito de um ‘workshop’ que o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) organiza esta semana em Lisboa sobre o dengue, o investigador reconheceu que o aparecimento do surto do ano passado "foi uma surpresa", apesar de uma investigação recente ter confirmado a existência de casos de dengue em Angola.
"Daí a termos um surto, só quer dizer que o mosquito teve uma expansão enorme na zona de Luanda e houve uma coincidência do contacto de um mosquito com uma pessoa em fase virémica", admitiu.
Entre o início da epidemia de dengue em Angola, em março de 2013, e agosto, foram notificados um total de 1.204 casos, dos quais 803 confirmados laboratorialmente, e a ocorrência de 11 mortes.
Atouguia manifestou dúvidas sobre estes números: "Luanda teve, certamente, muito mais casos do que os que foram identificados".
Numa zona onde qualquer sintoma febril é considerado malária, explicou, "terão sido diagnosticadas muitas malárias em indivíduos que teriam dengue".
Embora a situação tenha sido controlada com medidas contra o mosquito vetor do dengue, o investigador alertou que Luanda tem condições muito diferentes da Madeira, que tem conseguido impedir o surgimento de um novo surto devido às medidas de controlo aplicadas.
No workshop desta semana participa a responsável de saúde pública do governo angolano que lidou com o controlo do dengue, Fátima Valente, que irá apresentar o caso de Luanda aos médicos e técnicos de saúde pública que participam no curso.
Para Jorge Atouguia, a preocupação para Portugal é reforçar a necessidade de os portugueses que viajem para Luanda estarem alerta, protegendo-se contra as picadas de mosquito.
O especialista recordou que embora muitos viajantes já estejam alertados para a necessidade de se protegerem contra a malária, o mosquito que transmite o dengue está ativo durante o dia, e não só à noite como o vetor do paludismo, pelo que a proteção tem de ser feita durante todo o dia.
"Neste momento, as pessoas que viajam para zonas endémicas de dengue têm de estar sempre conscientes do risco", reiterou, lembrando que febre até 15 dias após o regresso é motivo de emergência médica.
De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a febre de dengue tem um período de incubação de três a sete dias, podendo prolongar-se até 14 dias.
Os sintomas de dengue surgem entre três a 14 dias após a picada do mosquito infetado. A doença manifesta-se, geralmente, por febre, dores de cabeça, dores nos músculos e nas articulações, vómitos e manchas vermelhas na pele e, embora mais raramente, por um quadro hemorrágico.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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