Insuficientes renais crónicos com hepatite C reclamam acesso a medicamentos inovadores

O presidente da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), João Cadete, reivindicou hoje o acesso dos insuficientes renais crónicos com hepatite C aos medicamentos inovadores específico para o tratamento do vírus nestes doentes.
créditos: AFP PHOTO PATRICK BERNARD

O pedido da associação surge um dia depois de o Infarmed ter anunciado que 107 doentes com hepatite C ficaram totalmente curados através do programa de tratamento lançado em fevereiro e do porta-voz da Plataforma Hepatite C, António Parente, ter alertado que o medicamento não está a chegar às prisões.

“Nós também temos um grupo de doentes que estão em diálise e são portadores do vírus da hepatite C, que não está a ser devidamente tratado com medicamentos para esta patologia”, disse à agência Lusa o presidente da APIR.

João Cadete explicou que o tratamento para a hepatite C não pode ser administrado aos insuficientes renais crónicos portadores do vírus, porque apenas é indicado para doentes sem patologias associadas.

No entanto, disse, “há já nova medicação que pode ser aplicada a este grupo de insuficientes renais [cerca de 800], especificamente os que estão em hemodiálise e que há largos anos lutam contra a hepatite C e não têm tido qualquer acesso ao novo medicamento”.

“Nós queríamos que o Ministério da Saúde olhasse para este grupo, que embora seja um grupo marginal tem todo o direito de ser tratado como os outros”, defendeu João Cadete.

Contactado pela Lusa, o Infarmed, organismo que regula o setor do medicamento em Portugal, afirmou que, desde que estes medicamentos obtiveram Autorização de Introdução no Mercado em janeiro de 2015, foram concedidos 87 pedidos de autorização de utilização especial.

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