Indústria farmacêutica portuguesa tem muitas oportunidades em Angola, diz ministro angolano

Ministro sublinhou importância da cooperação entre reguladores de medicamentos dos dois países
30 de julho de 2013 - 16h52



O ministro da Saúde angolano disse hoje em Lisboa que há um grande mercado em Angola para ser explorado pelas empresas farmacêuticas e pelo ramo saúde privada de Portugal, havendo também oportunidades para os profissionais de saúde.



“A indústria farmacêutica, a indústria dos serviços de saúde (de Portugal) têm muitas oportunidades em Angola”, disse o ministro da Saúde angolano, José Van-Dúnem.



O ministro fez estas declarações durante a visita que realizou hoje à Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), em Lisboa, onde foi recebido pelo presidente da instituição, Eurico Castro Alves, e pelo Secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira.



“Angola quase não produz medicamentos e o mercado está quase virgem. Uma das exigências na produção de medicamentos é que a rotulagem e as bulas sejam em português e quem produz em português já parte com esta vantagem”, que Portugal deveria aproveitar, disse Van-Dúnem.



O ministro referiu que Portugal fabrica medicamentos com qualidade e “as pessoas já estão habituadas aos medicamentos portugueses”, sendo uma grande oportunidade para a indústria farmacêutica portuguesa essa “preferência da maior parte da população” angolana.



Portugal, por falar a mesma língua, “recebe um grande número de doentes que vem a Portugal através da Junta Nacional de Saúde” de Angola.



“Portanto, poderia ser outro nicho de mercado que Portugal poderia aproveitar e seria mutuamente benéfico para os angolanos que deixariam de se deslocar e para os portugueses porque os preços que se pagam no setor privado da saúde (angolano) são muito atrativos”, sublinhou o ministro angolano.



Segundo Van-Dúnem, Portugal possui muitos “recursos humanos e, neste momento, com a reorganização do sistema nacional de saúde português, há disponibilidade de alguns profissionais, que seriam muito bem-vindos em Angola”.



“Por outro lado, as instituições de formação portuguesas poderão ser parceiras importantes para reforçarem situações de formação em Angola. É outra área que temos muitas expectativas”, afirmou o ministro.



Questionado sobre o eventual tráfico de medicamentos de Portugal para o seu país, o ministro respondeu que não tem sido “noticiado, nem notificado casos de medicamentos desviados para Angola. Poderá acontecer, mas não tem grande dimensão”.



“O problema que temos confrontado é a luta contra a contrafação de medicamentos, que não tem qualidade. Há pouco tempos fizemos uma grande apreensão de medicamentos desta qualidade”, sublinhou.



O ministro disse que tem havido um reforço de várias medidas de segurança por parte das autoridades angolanas, com a ajuda do Infarmed e outros institutos, entra as quais o controlo de determinadas moléculas dos medicamentos que permitem avaliar a sua qualidade.



O ministro sublinhou ainda a importância da cooperação entre os institutos reguladores de medicamentos dos dois países.



Durante o evento no Infarmed, foi apresentado o Fórum dos Reguladores de Medicamentos do Espaço Lusófono (Farmed), que foi criado em maio deste ano, que terá sua primeira sessão plenária a 28 de novembro, em Lisboa.



José Van-Dúnem iniciou hoje a Lisboa uma visita oficial, que se prolonga até quinta-feira, que prevê encontros com diversas entidades ligadas ao setor da saúde em Portugal.



“Viemos responder um convite do ministro (da Saúde) Paulo Macedo, a visitarmos Portugal”, referiu o ministro angolano, dizendo que a viagem vai permitir valiosa troca de experiências entre os dois países e os seus dois ministros da Saúde.



O ministro, acompanhado por uma delegação do Governo, visitou hoje a Direção-Geral da Saúde e, posteriormente, vai estar no Hospital Curry Cabral e no Hospital Santa Maria.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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