Incidência de Malária caiu 85% em 10 anos, mas combate deve mudar de estratégia

Doença está cada vez mais concentrada em locais ou comunidades específicas
15 de abril de 2013 - 10h43



Os casos de malária nos países com grande prevalência baixaram 85% numa década, mas as estratégias de combate à doença devem ser adaptadas às mudanças que a infeção tem registado, defende um artigo publicado esta segunda-feira na revista Lancet.



Entre 2000 e 2010, os 34 países onde a malária tinha de ser reduzida registaram uma diminuição de 85% dos casos anuais reportados: de 1,5 milhões em 2000 passaram para 232.000 em 2010.



Segundo Richard Feachem, um dos autores do estudo, “as estratégias de controlo da malária foram altamente bem-sucedidas em todo o mundo”.



Contudo, estas estratégias devem evoluir para conseguir responder de forma eficaz à mudança dos padrões da infeção, sobretudo em áreas onde a transmissão é tradicionalmente mais baixa.



Os autores afirmam que quando a malária é reduzida a níveis baixos, torna-se cada vez mais concentrada em locais específicos ou comunidades e em determinados grupos de pessoas.



Tradicionalmente, as mulheres e crianças são mais afetadas em zonas de alta transmissão, mas nas zonas de mais baixo contágio estão a crescer os casos em homens adultos.



Quem trabalha no campo, ao ar livre, bem como os trabalhadores emigrantes parece ter um risco acrescido. Além disso, muitas das zonas com reduzidos níveis da doença começam a encontrar casos “importados”, através da população que viaja para países com alta prevalência da infeção.



Segundo os autores do estudo, têm que ser repensados os métodos de controlo típico da malária, direcionando-os para os grupos mais suscetíveis de a contrair.



Habitualmente, o controlo da malária socorre-se de intervenções feitas em casa, como inseticidas domésticos. Os peritos sugerem que o controlo passe a ser baseado em inseticidas para a roupa, por exemplo, que protejam a população vulnerável e que não está em casa.



Mas não é apenas a demografia da infeção que parece estar a mudar, como também os tipos de parasitas envolvidos na doença, já que existem várias espécies de agentes, sendo que os esforços de controlo se têm concentrado num deles.



A malária é uma doença infeciosa transmitida pela picada de um mosquito e é endémica em várias dezenas de países, sobretudo nos continentes africano, asiático e sul-americano.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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