Humanos e robôs vão ter relações "muito fortes" daqui a dez anos

O biólogo e físico espanhol Ricard Solé afirmou hoje em Coimbra que dentro de dez anos os robôs terão capacidade para aprender com as pessoas e partilhar memórias, podendo desenvolver relações "muito fortes" com seres humanos.

"Nos próximos dez anos, os robôs vão estar em casa, vão aprender com o humano, vão falar com ele, vão ser inteligentes e nós vamos criar uma relação muito forte com robôs", disse à agência Lusa Ricard Solé, autor da obra "Vidas Sintéticas" e líder do Laboratório de Sistemas Complexos, em Barcelona, Espanha.

Para o físico focado em biologia sintética, o robô, ao poder ser uma "extensão do ser humano que aprende, tem perceção e memória", pode levar à definição de uma nova entidade "entre robô e humano".

Fascinado com essa possibilidade, Ricard Solé admite que não sabe "como é que isso vai afetar as pessoas", mas está seguro que "vai acontecer no curto prazo".

Segundo o investigador, um "robô com capacidade de aprender e com autonomia suficiente para andar" vai partilhar "memórias, perceções e personalidades".

"Um cão ou um gato não falam, mas os donos criam uma relação muito forte com os seus animais domésticos. Imagine-se alguém que fala com a pessoa, que evolui no pensamento e que se pode lembrar de coisas", apontou o investigador, que apresenta esta quinta-feira uma palestra no Encontro Português de Inteligência Artificial (EPIA), que decorre até sexta-feira no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra.

Recordando o filme "Robot and Frank", que aborda uma pessoa com Alzheimer que cria uma relação com um robô que tem memória, o cientista catalão considerou que "isso pode realmente acontecer".

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