Hospital dispensa único radiologista de intervenção, que entretanto emigrou

O hospital Amadora-Sintra ficou sem radiologia de intervenção porque o único médico especialista foi dispensado e acabou por emigrar, uma situação que está a preocupar a Ordem dos Médicos.
créditos: AFP/ERIC CABANIS

Segundo relatou o bastonário da Ordem num encontro com jornalistas para apresentar o XVII Congresso Nacional de Medicina, o médico estava há alguns anos numa situação contratual indefinida, tendo acabado por ser dispensado.

Além de ser o único radiologista de intervenção daquele hospital, o clínico que agora emigrou para o Reino Unido fazia cerca de 300 procedimentos por ano e estava a dar formação a um colega, que acabou por ver a sua especialização interrompida.

O bastonário José Manuel Silva recordou que a radiologia de intervenção é essencial no tratamento de doentes com cancro, nomeadamente de tumores com metástases, além de servir também para aplicação de próteses.

Para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), a situação que se vive no serviço de imagiologia do Amadora-Sintra “configura crime”.

No seu site, o SIM transcreve a denúncia do médico radiologista de intervenção que, “cansado de remar contra a maré, emigrou para Inglaterra onde o seu trabalho é valorizado, acarinhado e remunerado”.

Nessa denúncia, o médico refere que, no serviço de imagiologia/radiologia, “os equipamentos são os mesmos de há quase 15 anos” e “para quase todas as modalidades imagiológicas”.

“Existe apenas um aparelho de TC [tomografia computorizada] que apenas tem capacidade de quatro cortes (na atualidade, mesmo hospitais como o de Leiria ou o de Castelo Branco que servem menor número populacional, têm [equipamento com capacidade para] 16 ou 64 cortes”, lê-se na missiva do clínico.

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