Hospital de Santarém forma médicos para evitar paragens da ambulância de emergência

Para além dos 16 médicos habilitados, unidade está a formar mais 6
12 de maio de 2014 - 09h18



A limitação dos horários dos médicos fez com que, desde o início do ano, a Viatura Médica de Emergência e Reabilitação (VMER) do Hospital de Santarém tivesse ficado parada mais vezes do que acontecia anteriormente, disse a administração.



O presidente do conselho de administração do Hospital Distrital de Santarém (HDS), José Josué, afirmou à agência Lusa que até 2013 “a taxa de inoperacionalidade [da VMER] era muito baixa” e que a situação se alterou com a impossibilidade de afetar as horas até aí atribuídas aos médicos.



“Desde o início do ano tem acontecido mais do que desejaríamos”, afirmou.



O HDS tem 16 médicos com formação específica em emergência pré-hospitalar, tendo, devido à alteração da legislação que limita o número de horas atribuídas aos clínicos, colocado mais seis em formação, dois dos quais já entraram nas escalas, um outro está a acabar a formação e mais três passarão a integrar as equipas em junho, adiantou.



“Com a entrada destes seis profissionais voltaremos às taxas de operacionalidade normais”, disse.



José Josué frisou que o perfil de utilização da emergência pré-hospitalar se está a alterar, assistindo-se a um número cada vez maior de saídas e para situações fora do que era comum.



“Hoje é muito comum a VMER ser chamada para lares da terceira idade, o que altera o que era o seu perfil de funcionamento e vem pôr em causa a capacidade de uma VMER. É uma situação que está a ser revista e que nos preocupa porque a emergência pré-hospitalar é muito importante, são muitas vidas que se salvam”, disse.



José Josué realçou ainda a “evolução do paradigma” dos doentes que chegam às urgências, que tem a ver com o envelhecimento da população.



“O Hospital de Santarém é, na grande Lisboa, o que mais doentes mais urgentes trata (pulseiras laranjas e amarelas)”, afirmou, referindo ainda o fenómeno de “ondas” na Urgência, em que “de repente entram dezenas de doentes em simultâneo”, situação em que “os lares de terceira idade têm igualmente muito peso”.



José Josué reconheceu que o facto de o serviço de urgências estar a ser assegurado por uma “percentagem muito elevada” de prestadores de serviços “é negativo”, não permitindo “garantir os níveis de qualidade que gostaria”, porque estes profissionais estão fora da “cultura própria” criada pelas equipas hospitalares.

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